terça-feira, 10 de janeiro de 2017

TBR: Livros para ler em Janeiro



Olá galera, hoje venho apresentar a vocês a minha TBR de Janeiro, que é aquela listinha que eu pretendo ler este mês, vamos lá?


Título: A Origem das Espécies e a seleção natural
Autor: Charles Darwin
Ano: 2007
Páginas: 538
Editora: Martin Claret

As idéias gerais da Teoria da Evolução das Espécies sofreram, aos poucos, alterações e aperfeiçoamentos. Todavia, as teses do evolucionismo subsistem até hoje, e o nome da Darwin ficou ligado a uma das mais notáveis concepções do espírito humano. Na base da teoria evolucionista de Darwin está a luta pela vida. Somente os mais fortes e os mais aptos conseguem sobreviver, e a própria natureza se incumbe de proceder a essa seleção natural. A Origem das Espécies (1859) pôs Darwin no centro das acirradas polêmicas e discussões fervorosas. Certamente é a mais importante obra sobre a Biologia jamais escrita.




Título: As Dúvidas do Sr. Darwin
Um retrato do criador da teoria da evolução
Autor: David Quammen
Ano: 2007 
Páginas: 261
Editora: Companhia das Letras

Depois de muita reflexão e estudo, Darwin concluiu que organismos com características que lhes conferissem maior sucesso em determinadas regiões deixariam mais descendentes. Consciente da celeuma que suas idéias causariam na sociedade britânica do século XIX, Darwin levantou provas e construiu argumentos. Mas precisou de um empurrãozinho - a ameaça de perder a autoria da idéia para Alfred Russel Wallace, que estava na mesma trilha - para completar sua obra.

Título: Não Tive Nenhum Prazer em Conhecê-los
Autor: Evandro Affonso Ferreira
Ano: 2016 
Páginas: 368
Editora: Record

O novo romance do autor vencedor de dois prêmios Jabutis. Construído de fragmentos poéticos curtos e muitas vezes apresentados como epigramas ou aforismos, onde a frase lapidar é usada como elemento construtivo básico, este é um romance elaborado com a atenção minuciosa de quem esculpe ou pratica ourivesaria, um romance sobre o fim da vida, pedra bruta aqui usada para construção desse texto preciso e precioso. Evandro Affonso Ferreira mostra um painel sombrio da proximidade da morte. Constrói um vitral formado por cacos da existência do narrador, que filtram o olhar e são trespassados por observações de um personagem poderoso que, mesmo no crepúsculo pessoal, cultiva a necessidade humana de compartilhar – ainda que seja o próprio fim.



Título: O Vento da Noite 
Edição Bilíngue
Autora: Emily Brontë
Ano: 2016 
Páginas: 154
Editora: Civilização Brasileira

Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivante, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa.
Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, “O Vento da Noite”, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira.
É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza.
A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

E ai, se interessaram por algum livro? Deixe um comentário!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Resenha: Doadores de Sono - Karen Russel

Título: Doadores de Sono
Autora: Karen Russel
Tradução: Cláudia Costa Guimarães
Páginas: 168
Ano: 2016
Editora: Record
Ficção científica

Quando pesadelos são reais, dormir é um privilégio

Uma epidemia assola os Estados Unidos. Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando ela é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

Somos introduzidos a um Estados Unidos em caos. Pessoas em leitos de hospitais morrendo de insônia. Uma situação que poderia remotamente acontecer na nossa sociedade. Somos tomados por um medo de que isso realmente aconteça, embora nosso cérebro saiba que é apenas uma ficção científica.


Dori foi uma das primeiras mortes por insonia dos EUA, depois de meses sem dormir, seus órgãos falharam e ela enfim pode dormir em paz. Quem não teve paz foi Trish, obrigada a conviver todos os dias com o fantasma de sua irmã dentro de sua mente. Ao aparecer novos casos de insonia fatal, a organização de saúde dos EUA enfim confirmou que havia realmente tal doença, antes dita como frescura daqueles que sofriam dela.
Esses cientistas da televisão preveem "uma desertificação global de sonhos". Logo, prometem, o distúrbio afetará todos nós. O sono entrará em extinção. E por fim, a não ser que encontremos uma forma de sintetizá-lo, teremos o mesmo destino.
Trish viu sua irmã se desfazer na cama, e não havia nada que ela pudesse fazer por ela. Após sua morte e comprovação da doença com novos casos surgindo, Trish sentiu que devia fazer algo. Surgiu O Corpo Do Sono, uma organização que busca doações de sono para salvar os insones. Eis que Trish resolve ser uma recrutadora, ela busca pessoas que estejam dispostas a doar um pouco de seu sono para salvar uma vida.


Dentre essas buscas, ela se depara com a Bebe A, uma recém nascida que tem um sono puríssimo. Apenas uma transfusão de seu sono é possível curar os insones de pesadelos, ela é uma doadora universal. Seria correto retirar tanto sono de um bebê, que não poderia consentir para isso? Mesmo que isso salvasse várias vidas?
Se eu parar de contar a história de Dori, às vezes me pergunto, para onde ela irá?
O livro fira em tono de Trish, que vive um conflito interior, ela evoca a história de Dori todas as vezes em que se apresenta para um possível doador. Ela chora e se emociona, embora ela esteja sofrendo com a lembrança, está também se aproveitando da sensibilidade do possível doador para obter o que ela quer. É por uma boa causa, salvar vidas, não? Trish explora a história de sua irmã, mas nunca conta algo novo, é sempre as mesmas falas embargadas criadas para tocar o ouvinte. 


Karen Russel cria toda uma trama em volta da insônia e vários outros problemas surgem a partir desse ponto. O leitor fica agoniado com tantas adversidades, parece que nada mais pode dar certo. Até a última página do livro surgiram complicações. Acontece que essas complicações não foram resolvidas.

Haviam mistérios desde o início do livro em que fiquei ansiosa para descobrir, e não sei por qual motivo, a autora não resolveu tais problemas e não concluiu um final. Parece que algumas folhas foram arrancadas do livro de tão sem sentido que ficou. Será que ela estava esperando escrever uma continuação? 


No início o enredo está bem atado e a narrativa flui bem, a partir do meio do livro, a autora começa a devanear e a escrever coisas aparentemente sem nexo. Os personagens aparecem fora de si, e não por algo causado na história, e sim por pura vontade da autora. Fiquei um pouco perdida nos capítulos seguintes, nada mais fazia sentido.

O livro tem apenas 160 páginas, e certamente poderia ter sido melhor desenvolvido. Algumas páginas a mais não seriam má ideia, principalmente se solucionasse os mistérios e problemas expostos ao longo do livro. A autora tentou dar uma solução para um dos empecilhos que assombraram o enredo, mas foi apenas um único capítulo com uma mísera folha, com poucas palavras e nada esclarecedor. 


A ideia parecia brilhante pela sinopse e pela fala de Stephen King na contracapa do livro. Infelizmente a autora não soube desenvolver. É um livro fluido, rápido de ler mas que não apresenta um final. Para mim, a leitura pouco acrescentou. 

Para mim não funcionou, mas pode ser que para você sim. O que achou? Deixe um comentário!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Resenha: Nunca o Nome do Menino - Estevão Azevedo

Título: Nunca o nome do menino
Autor: Estevão Azevedo
Páginas: 196
Editora: Record
Ano: 2016
Literatura Nacional

Romance do autor vencedor do prêmio São Paulo de literatura 2015

Como assegurar que não somos meros sonhos de um criador que desconhecemos, e por que confiar em sua existência? Partindo do dilema borgiano de uma mulher que se vê personagem de uma obra de ficção e de todas as reflexões que passa a ter em função disso, Estevão Azevedo alinhava sutilmente referências literárias que vão de Homero a Vinicius de Moraes, passando por Camus, João Cabral de Melo Neto e, sobretudo, Machado de Assis. O resultado é um romance metaliterário, que, em vez de se propor erudito, sugere um pacto lúdico ao leitor.
Edição revista pelo autor, com posfácio inédito Estevão Azevedo tem contos publicados em revistas e na antologia de escritores brasileiros Popcorn unterm Zuckerhut – Junge brasilianische Literatur, lançada em 2013, na Alemanha. Tempo de espalhar pedras (Cosac Naify, 2014) foi eleito o Livro do Ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura de 2015

Estevão Azevedo é um exímio explorador das palavras, das sílabas, da forma em que cada letra se encaixa na oração. É de uma precisão as vezes imprecisa, autor de frases de impacto que nos leva a uma narrativa impactante. 

Logo no primeiro capítulo somos introduzidos à uma mulher que amputou o dedo ao perceber que era personagem de um livro. Um tanto quanto dramático, mas que fisga o leitor logo nas primeiras frases. Seria isso verdadeiro? Sua suspeita era real? Ela realmente estava presa dentro de um livro e o autor a obrigava a seguir um roteiro? 

O que todo mundo busca é o alívio de enfim virar narrativa. O que não sabem é que eu, quando me vi em estado puro de escritura, quando descobri minhas veias como longa escrita cursiva, meus olhos como puro adjetivo, meu sangue como nanquim, minhas contradições, oximoros, meus poros, pontos finais, minha pele, metáfora, e meu desejo, hipérbole, quando o momento máximo de autoconhecimento não foi mais que uma peripécia, a angústia então foi tanta e tão intensa e tão romântica que pela primeira vez, desejei, mesmo sendo excessivamente feliz, morrer.


É preciso estar muito atento à escrita de Estevão, por vezes a personagem chama atenção para os leitores desatentos, conversa conosco como se fossemos cúmplices do autor que a deixara naquela situação. Ela nos relata como descobriu ser apenas uma personagem, e por trás dessa paranoia há uma vida correndo. 

Ela se distrai, faz coisas loucas, se diverte ao contar sua história enquanto por dentro não passa de um drama triste a qual ela quer se livrar. Ela quer ser apenas ela mesma, mas como ser você mesmo, se não sabe como você é? Ela foi criada por um autor, não há como ser ela mesma. Uma angústia nos sobe com tanto sentimento em antítese. 


Diante dessa novela, ainda há um menino. Ela o conheceu quando criança e mais tarde ele retornara a sua adolescência. Nunca o nome do menino nos deixa extasiados com a riqueza de detalhes, dramas carregados e peças interligadas de anos depois. Tudo se encaminha para um final fatal e embora parecesse que o leitor não poderia se surpreender mais, ele é surpreendido.

Estevão conseguiu com que ficássemos curiosos o livro todo, que devorássemos cada alcunha, cada particularidade. Nos deixou surpresos do início ao fim. Azevedo nos mata a cada fim de capítulo, a cada alternação entre o menino na adolescência e a mulher em sua vida adulta.  


Quem somos nós? Talvez também tenhamos o mesmo destino que essa moça. Somos apenas comandados por um autor? 
Era uma vez uma mulher linda linda linda e que por ser tão inteligente e ter tantas ideias malucas desde menina, acabou ficando maluca mesmo.

Essa é uma edição belíssima para uma história encantadora, à altura. A diagramação é bem feita, as folhas são amareladas e quase aveludadas, tal qual a capa. A leitura flui com uma naturalidade imensa, e embora tenhamos que prestar muito atenção às antíteses e metáforas, é um livro que vale a pena ser lido.


E você, o que achou deste livro? Leria? Deixe um comentário, vou adorar saber sua opinião! 

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