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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Resenha: Polícias, Crimes e Criminosos - Samuel Antunes Teixeira


Título: Polícias, Crimes e Criminosos 
Autor: Samuel Antunes Teixeira
Páginas: 570
Ano: 2013
Idioma: Português de Portugal
Editora: Chiado Editora

Livro cedido pela editora

Estas são memórias dos 30 anos em que trabalhei na investigação de homicídios..
Em alguns poucos casos que tive que as complementar com alguma imaginação para preencher uma ou outra falha de memória. Em outros, também recorri à imaginação para conseguir uma abordagem mais ampla de temas fraturantes da nossa sociedade que determinados casos refletem. Fi-lo, porém, sempre com base em situações que fazem parte desta minha vivência,sem desvirtuar o sentido do real.
Não procurei uma estrutura uniforme na sua concepção, diversifiquei, e tentei fugir ao estilo "relatório de polícia, evitando descrições demasiado factuais, pormenorizadas ou técnicas sem, contudo, deixar de revelar aspectos do funcionamento da investigação criminal e da sua concretização processual.
Procurei retratar pessoas, ambientes e mentalidades, assim como manifestei a minha posição sobre temas polémicos que não representa, de modo nenhum, os investigadores da Polícia Judiciária. Sou voz, não sou porta-voz.

Samuel Antunues Teixeira nasceu em queijas no ano de 1949, iniciou como tipógrafo aos 13 anos. E neste livro, conta grande parte deste trabalho que durou cerca de 30 anos em diferentes cargos, e o último, porém não menos importante, foi o de investigador da Polícia Judiciária na seção de homicídios. Há enxertos de documentos e fotos que nos levam a entender melhor cada caso.
A coragem deve surgir naturalmente, como uma necessidade em situações limites. 
O livro já em sua terceira edição, é dividido em 5 capítulos, além de um prefácio, introdução e epílogo. Cada capítulo contém acontecimentos de determinada época, sendo que tais acontecimentos são um misto de histórias ocorridas ao longo das investigações, como casos em que ele trabalhou, juntamente com desabafos sobre tais casos e eventos de sua própria vida. 


Em cada capítulo é narrada uma época da vida do autor, e com ela os acontecimentos dentro da Polícia Judiciária. A vida do autor e os casos em que ele trabalhou estão intrinsecamente ligados. Para cada caso, seja ele de grande ou pequeno porte, o autor revela sua opinião e faz uma breve reflexão. Conta sobre suas primeiras experiências e como foram.
Fingia que tinha a situação controlada, mas estava a fazer um enorme esforço mental para dominar o medo.
Em alguns momentos, ele mostra decepção com o sistema judiciário de Portugal. E embora achássemos que era somente no Brasil que as coisas estavam ruins, vamos descobrido que em outros lugares do mundo também estão. 
A qualidade da justiça é definidora da qualidade de uma sociedade. Por isso a nossa é o que se vê. 
O autor também fala de política e reflete sobre sua situação atual e sobre os anos que passaram. Conta sobre movimentos ocorridos na época, tal qual o 25 de abril, momento importante para o povo de Portugal em que constituiu num movimento social que depôs o regime ditatorial e implantou a democracia.
Aqueles que já nasceram em liberdade não têm noção da sua importância. Eu próprio só conheci esse valor com o 25 de abril.

Fala também sobre o aborto e expõe sem escrúpulos sua opinião, dá nome àqueles que permitem que mulheres continuem a morrer. Aponta a igreja como maior das hipócritas.
 Já bastava o trauma de terem de fazer um aborto, para ainda terem de se submeter a exames médico-legais e a prestarem declarações como vulgares criminosas. [...] A igreja católica apresentava-se como sendo o maior travão para que esta lei fosse alterada. Enquanto se entretinham com filosofias inúteis, que só servem para exercícios de especulação intelectual, como por exemplo, saber se o embrião é, ou não, vida, havia mulheres a morrer, e muitas a ficarem com graves problemas de saúde.[...] A igreja sempre se caracterizou por ter duas faces, se por um lado foi geradora de valores civilizacionais em que assenta a nossa sociedade, por outro, alegando a sua defesa, praticou as maiores barbaridades da história da humanidade sem qualquer respeito pelo sofrimento e pela vida humana. 
 Por não acreditar em deus, pode ser que ele tenha criticado a Igreja Católica em demasia, embora sempre apresentando argumentos coerentes baseados em fatos.


O autor não escreve o livro como uma narrativa para que fiquemos intrigados, ele escreve para compartilhar conosco o que viu em 30 anos de investigação. Muitas vezes são homicídios por motivos torpes, em outros nem ficamos sabendo o motivo, já que ele também não teve conhecimento. 

Reflete sobre a situação do homem e da humanidade
Onde há homens, há problemas. 
É um livro que nos faz refletir sobre vários assuntos, que abre nossa mente para novas reflexões. É possível ver que não só o Brasil tem problemas, pois não são os países que possuem problemas, e sim as pessoas que os causam, e há pessoas em todo o lugar. 

Foi um livro fantástico de ler, a leitura fluía bem embora parecesse que eu nunca chegaria ao final desse calhamaço! Super recomendo este livro! E ai, o que acharam? Leriam este livro?

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

TBR: Livros para ler em Janeiro



Olá galera, hoje venho apresentar a vocês a minha TBR de Janeiro, que é aquela listinha que eu pretendo ler este mês, vamos lá?


Título: A Origem das Espécies e a seleção natural
Autor: Charles Darwin
Ano: 2007
Páginas: 538
Editora: Martin Claret

As idéias gerais da Teoria da Evolução das Espécies sofreram, aos poucos, alterações e aperfeiçoamentos. Todavia, as teses do evolucionismo subsistem até hoje, e o nome da Darwin ficou ligado a uma das mais notáveis concepções do espírito humano. Na base da teoria evolucionista de Darwin está a luta pela vida. Somente os mais fortes e os mais aptos conseguem sobreviver, e a própria natureza se incumbe de proceder a essa seleção natural. A Origem das Espécies (1859) pôs Darwin no centro das acirradas polêmicas e discussões fervorosas. Certamente é a mais importante obra sobre a Biologia jamais escrita.




Título: As Dúvidas do Sr. Darwin
Um retrato do criador da teoria da evolução
Autor: David Quammen
Ano: 2007 
Páginas: 261
Editora: Companhia das Letras

Depois de muita reflexão e estudo, Darwin concluiu que organismos com características que lhes conferissem maior sucesso em determinadas regiões deixariam mais descendentes. Consciente da celeuma que suas idéias causariam na sociedade britânica do século XIX, Darwin levantou provas e construiu argumentos. Mas precisou de um empurrãozinho - a ameaça de perder a autoria da idéia para Alfred Russel Wallace, que estava na mesma trilha - para completar sua obra.

Título: Não Tive Nenhum Prazer em Conhecê-los
Autor: Evandro Affonso Ferreira
Ano: 2016 
Páginas: 368
Editora: Record

O novo romance do autor vencedor de dois prêmios Jabutis. Construído de fragmentos poéticos curtos e muitas vezes apresentados como epigramas ou aforismos, onde a frase lapidar é usada como elemento construtivo básico, este é um romance elaborado com a atenção minuciosa de quem esculpe ou pratica ourivesaria, um romance sobre o fim da vida, pedra bruta aqui usada para construção desse texto preciso e precioso. Evandro Affonso Ferreira mostra um painel sombrio da proximidade da morte. Constrói um vitral formado por cacos da existência do narrador, que filtram o olhar e são trespassados por observações de um personagem poderoso que, mesmo no crepúsculo pessoal, cultiva a necessidade humana de compartilhar – ainda que seja o próprio fim.



Título: O Vento da Noite 
Edição Bilíngue
Autora: Emily Brontë
Ano: 2016 
Páginas: 154
Editora: Civilização Brasileira

Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivante, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa.
Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, “O Vento da Noite”, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira.
É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza.
A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

E ai, se interessaram por algum livro? Deixe um comentário!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Resenha: Doadores de Sono - Karen Russel

Título: Doadores de Sono
Autora: Karen Russel
Tradução: Cláudia Costa Guimarães
Páginas: 168
Ano: 2016
Editora: Record
Ficção científica

Quando pesadelos são reais, dormir é um privilégio

Uma epidemia assola os Estados Unidos. Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando ela é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

Somos introduzidos a um Estados Unidos em caos. Pessoas em leitos de hospitais morrendo de insônia. Uma situação que poderia remotamente acontecer na nossa sociedade. Somos tomados por um medo de que isso realmente aconteça, embora nosso cérebro saiba que é apenas uma ficção científica.


Dori foi uma das primeiras mortes por insonia dos EUA, depois de meses sem dormir, seus órgãos falharam e ela enfim pode dormir em paz. Quem não teve paz foi Trish, obrigada a conviver todos os dias com o fantasma de sua irmã dentro de sua mente. Ao aparecer novos casos de insonia fatal, a organização de saúde dos EUA enfim confirmou que havia realmente tal doença, antes dita como frescura daqueles que sofriam dela.
Esses cientistas da televisão preveem "uma desertificação global de sonhos". Logo, prometem, o distúrbio afetará todos nós. O sono entrará em extinção. E por fim, a não ser que encontremos uma forma de sintetizá-lo, teremos o mesmo destino.
Trish viu sua irmã se desfazer na cama, e não havia nada que ela pudesse fazer por ela. Após sua morte e comprovação da doença com novos casos surgindo, Trish sentiu que devia fazer algo. Surgiu O Corpo Do Sono, uma organização que busca doações de sono para salvar os insones. Eis que Trish resolve ser uma recrutadora, ela busca pessoas que estejam dispostas a doar um pouco de seu sono para salvar uma vida.


Dentre essas buscas, ela se depara com a Bebe A, uma recém nascida que tem um sono puríssimo. Apenas uma transfusão de seu sono é possível curar os insones de pesadelos, ela é uma doadora universal. Seria correto retirar tanto sono de um bebê, que não poderia consentir para isso? Mesmo que isso salvasse várias vidas?
Se eu parar de contar a história de Dori, às vezes me pergunto, para onde ela irá?
O livro fira em tono de Trish, que vive um conflito interior, ela evoca a história de Dori todas as vezes em que se apresenta para um possível doador. Ela chora e se emociona, embora ela esteja sofrendo com a lembrança, está também se aproveitando da sensibilidade do possível doador para obter o que ela quer. É por uma boa causa, salvar vidas, não? Trish explora a história de sua irmã, mas nunca conta algo novo, é sempre as mesmas falas embargadas criadas para tocar o ouvinte. 


Karen Russel cria toda uma trama em volta da insônia e vários outros problemas surgem a partir desse ponto. O leitor fica agoniado com tantas adversidades, parece que nada mais pode dar certo. Até a última página do livro surgiram complicações. Acontece que essas complicações não foram resolvidas.

Haviam mistérios desde o início do livro em que fiquei ansiosa para descobrir, e não sei por qual motivo, a autora não resolveu tais problemas e não concluiu um final. Parece que algumas folhas foram arrancadas do livro de tão sem sentido que ficou. Será que ela estava esperando escrever uma continuação? 


No início o enredo está bem atado e a narrativa flui bem, a partir do meio do livro, a autora começa a devanear e a escrever coisas aparentemente sem nexo. Os personagens aparecem fora de si, e não por algo causado na história, e sim por pura vontade da autora. Fiquei um pouco perdida nos capítulos seguintes, nada mais fazia sentido.

O livro tem apenas 160 páginas, e certamente poderia ter sido melhor desenvolvido. Algumas páginas a mais não seriam má ideia, principalmente se solucionasse os mistérios e problemas expostos ao longo do livro. A autora tentou dar uma solução para um dos empecilhos que assombraram o enredo, mas foi apenas um único capítulo com uma mísera folha, com poucas palavras e nada esclarecedor. 


A ideia parecia brilhante pela sinopse e pela fala de Stephen King na contracapa do livro. Infelizmente a autora não soube desenvolver. É um livro fluido, rápido de ler mas que não apresenta um final. Para mim, a leitura pouco acrescentou. 

Para mim não funcionou, mas pode ser que para você sim. O que achou? Deixe um comentário!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Resenha: Nunca o Nome do Menino - Estevão Azevedo

Título: Nunca o nome do menino
Autor: Estevão Azevedo
Páginas: 196
Editora: Record
Ano: 2016
Literatura Nacional

Romance do autor vencedor do prêmio São Paulo de literatura 2015

Como assegurar que não somos meros sonhos de um criador que desconhecemos, e por que confiar em sua existência? Partindo do dilema borgiano de uma mulher que se vê personagem de uma obra de ficção e de todas as reflexões que passa a ter em função disso, Estevão Azevedo alinhava sutilmente referências literárias que vão de Homero a Vinicius de Moraes, passando por Camus, João Cabral de Melo Neto e, sobretudo, Machado de Assis. O resultado é um romance metaliterário, que, em vez de se propor erudito, sugere um pacto lúdico ao leitor.
Edição revista pelo autor, com posfácio inédito Estevão Azevedo tem contos publicados em revistas e na antologia de escritores brasileiros Popcorn unterm Zuckerhut – Junge brasilianische Literatur, lançada em 2013, na Alemanha. Tempo de espalhar pedras (Cosac Naify, 2014) foi eleito o Livro do Ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura de 2015

Estevão Azevedo é um exímio explorador das palavras, das sílabas, da forma em que cada letra se encaixa na oração. É de uma precisão as vezes imprecisa, autor de frases de impacto que nos leva a uma narrativa impactante. 

Logo no primeiro capítulo somos introduzidos à uma mulher que amputou o dedo ao perceber que era personagem de um livro. Um tanto quanto dramático, mas que fisga o leitor logo nas primeiras frases. Seria isso verdadeiro? Sua suspeita era real? Ela realmente estava presa dentro de um livro e o autor a obrigava a seguir um roteiro? 

O que todo mundo busca é o alívio de enfim virar narrativa. O que não sabem é que eu, quando me vi em estado puro de escritura, quando descobri minhas veias como longa escrita cursiva, meus olhos como puro adjetivo, meu sangue como nanquim, minhas contradições, oximoros, meus poros, pontos finais, minha pele, metáfora, e meu desejo, hipérbole, quando o momento máximo de autoconhecimento não foi mais que uma peripécia, a angústia então foi tanta e tão intensa e tão romântica que pela primeira vez, desejei, mesmo sendo excessivamente feliz, morrer.


É preciso estar muito atento à escrita de Estevão, por vezes a personagem chama atenção para os leitores desatentos, conversa conosco como se fossemos cúmplices do autor que a deixara naquela situação. Ela nos relata como descobriu ser apenas uma personagem, e por trás dessa paranoia há uma vida correndo. 

Ela se distrai, faz coisas loucas, se diverte ao contar sua história enquanto por dentro não passa de um drama triste a qual ela quer se livrar. Ela quer ser apenas ela mesma, mas como ser você mesmo, se não sabe como você é? Ela foi criada por um autor, não há como ser ela mesma. Uma angústia nos sobe com tanto sentimento em antítese. 


Diante dessa novela, ainda há um menino. Ela o conheceu quando criança e mais tarde ele retornara a sua adolescência. Nunca o nome do menino nos deixa extasiados com a riqueza de detalhes, dramas carregados e peças interligadas de anos depois. Tudo se encaminha para um final fatal e embora parecesse que o leitor não poderia se surpreender mais, ele é surpreendido.

Estevão conseguiu com que ficássemos curiosos o livro todo, que devorássemos cada alcunha, cada particularidade. Nos deixou surpresos do início ao fim. Azevedo nos mata a cada fim de capítulo, a cada alternação entre o menino na adolescência e a mulher em sua vida adulta.  


Quem somos nós? Talvez também tenhamos o mesmo destino que essa moça. Somos apenas comandados por um autor? 
Era uma vez uma mulher linda linda linda e que por ser tão inteligente e ter tantas ideias malucas desde menina, acabou ficando maluca mesmo.

Essa é uma edição belíssima para uma história encantadora, à altura. A diagramação é bem feita, as folhas são amareladas e quase aveludadas, tal qual a capa. A leitura flui com uma naturalidade imensa, e embora tenhamos que prestar muito atenção às antíteses e metáforas, é um livro que vale a pena ser lido.


E você, o que achou deste livro? Leria? Deixe um comentário, vou adorar saber sua opinião! 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Dica de Leitura: Sorria, você está sendo iluminado!

Título: Sorria, você está sendo iluminado!
Autor: Felipe Guga
Páginas: 96
Ano: 2015
Editora: Galera Record

Um convite ao leitor para visões de mundo mais profundas, ideias jovens e novas atitudes.
Como descreveu o jornal O Globo, “foi um coração partido, esse amargo combustível, que empurrou Felipe Guga em direção a uma série de desenhos que fazem sucesso on-line” – já são quase 100 mil seguidores no Instagram.
De Osho a Gandhi, de Jesus a Neil Young. O trabalho do artista se inspira em aforismos diversos, e as frases motivacionais se misturam a desenhos modernos e contestadores para espalhar luz, amor e gratidão.
Guga traz consigo o dom de acender a esperança nos corações dos que o seguem, mas também sabe adotar um tom provocador, daquele que nos tira da zona de conforto do dia a dia e faz pensar. Sua arte, exposta ao público, vai além do contemplativo.
Um ótimo presente, para os queridos ou para si mesmo, este é um daqueles livros que provoca emoções e faz refletir sobre o poder da fé. Que traduz sentimentos em cores e nos faz sorrir, quando confrontados à iluminação da arte.

Felipe Guga conseguiu reunir várias frases prontas a suas ilustrações. Neste livro, tudo gira em torno da luz, seja ela física ou espiritual. Este não é um livro religioso, é um livro que busca te trazer paz através de reflexões bem simples.


Este é um livro que fala de amor, casamentos, relacionamentos a dois, amizade e tudo o que a relação humana pode proporcionar. Seja carinho, ódio, ou desinteresse.


Fala sobre as dificuldades que temos em lidar com pessoas diferentes da gente, e de como relações assim podem agregar conhecimento. Além de tentar nos ensinar a sermos pessoas melhores para nós mesmos.


Há também vários trechos de músicas, além de referências a ela. É possível se sentir em casa com um pouco de familiaridade.


Um órgão que aparece frequentemente neste livro é o coração. Há várias ilustrações dele, e uma das que mais gostei.


Este é um ótimo livro para se presentar ou presentear um ente querido. Pense nisso!


E aí, o que você achou? Ficou com vontade de ter este livro em mãos? Deixe um comentário!

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Resenha: Sozinhos no Escuro - Jessé Diniz

Título: Sozinhos no Escuro
Autor: Jessé Diniz
Páginas: 216
Ano: 2014
Editora: Selo Jovem

Literatura Brasileira, aventura, ficção.
Jason está prestes a completar dezoito anos e, como muitos meninos de sua idade, não é o mais popular do colégio. Na maior parte do seu tempo fica sozinho, ou então, com seus três únicos amigos. Essa amizade será ainda mais fortalecida quando eles descobrirem responsáveis em impedir uma guerra que poderia acabar com a raça humana, transformando o mundo em que vivemos num lugar sombrio, cheio de trevas. O pior de tudo? Eles já começaram em desvantagem.


Prestes a completar dezoito anos, Jason se vê em uma situação crítica. Ao sair para ir ao colégio, percebe que não há ninguém em casa, e o mais estranho, não há ninguém na rua e na vizinhança além do gélido vento. O que terá acontecido? 

Antes que os quatro amigos pudessem entender o que estava acontecendo, eles são abordados pelo Arcanjo Gabriel, em pessoa. O que esse ser teria para falar com quatro adolescentes que mal sabem se defender? Isso mesmo, que eles foram escolhidos para combater um apocalipse zumbi! Nomeados os quatro anjos do apocalipse, eles terão a missão de impedir que o mal se instale definitivamente na terra!
Assim como acredito em Céu, também acredito em inferno. Assim como acredito em Deus, também acredito em Lúcifer. Assim como acredito em anjos e arcanjos, também acredito em seres infernais. Agora, passei a acreditar em zumbis. E o pior de tudo é saber que é minha a missão de transformar os não-mortos em mortos de verdade. Eu sou Jason Phoenix. Sou um Anjo do Apocalipse.

Em busca de completar essa missão, Jason, Jessica, Zack e Belle, se meterão em muita confusão. Além de matar vários zumbis durante essa aventura, terão também que armar um plano para derrotar o líder do mal. Embora os mocinhos estarem enrascados, também os vilões estão. Em Sozinhos no Escuro, poucas coisas dão certo, sejam para os mocinhos como para os vilões. 

Este é um livro juvenil, portanto as cenas foram escritas de forma a que não cause espanto naqueles que o leem, mesmo que sejam mais novos. Sozinhos no Escuro nos ensina a enfrentar nossos medos e a fazer o que for preciso para salvar um amigo. Isso nos faz lembrar um pouco de Percy Jackson.


No meio de toda essa agrura, os personagens conseguiram se manter juntos, brincavam ao longo das batalhas e não se deixavam abater por tudo que estava acontecendo. Há ainda uma história de amor inesperada entre uma luta e outra. 

Os capítulos não são tão longos e a diagramação está excelente. A narrativa em si foi boa, embora o autor tenha dado prioridades duvidosas para alguns detalhes e deixado coisas que poderiam ter sido importantes de fora. Ele focou muito na vestimenta dos personagens, mas esqueceu-se de dizer como eles estavam se sentindo durante todo aquele perigo. Algumas crises foram citadas, mas nada sobre a personalidade dos personagens, que vamos ter de descobrir a medida que eles interagem uns com os outros. 


Jessé Diniz nasceu em Osasco no dia 20 de outubro de 1994, atualmente reside em Lins/SP, com seus pais e seu irmão caçula. Estudante de bacharelado em sistemas de informação, interessou-se por livros logo que aprendeu a ler, aos seis anos. Sempre se destacou em redações e textos escolares e, aos dezesseis anos, decidiu criar suas próprias histórias. Sozinhos no escuro é seu romance de estreia.

E então, se interessou pelo livro? Deixe seu comentário!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Resenha: Cravos - Julia Wähmann

Título: Cravos
Autora: Julia Wähmann
Páginas: 144
Editora: Record
Ano: 2016

Poemas, poesias, literatura nacional

A experiência da leitura deste livro aproxima-se à de um balé do qual se faz parte como espectador bailarino, deslizando-se da densidade de um encontro incendiário às lágrimas que inundarão os olhos em horas impróprias. Uma voz fala de contatos intermitentes (em palcos e na vida) como quem divide segredos e confessa um atraso. Mas, quando se expressa, reorganiza o tempo e já não há espaços vazios. Mesmo quando as engrenagens do corpo rangem, uma desmedida de afetos inventa o possível no romance impossível. Suspendem-se assim os hiatos entre a mulher de dedos longos que contam notas de dinheiro encharcadas e o homem que enxerga ali uma dança de Pina Bausch – e entre eles e nós.
Julia Wähmann é escritora e colunista do coletivo Ornitorrinco. Formada em designer gráfico, trabalhou na área de moda e no mercado editorial. Cravos é seu livro de estreia na Editora Record.

Não se sabe quem narra. Não nos é dito nomes, idade ou aparência. Sabemos que é uma mulher e que ela gosta de dança, ama uma pessoa não pode ter e sofre com isso. Pode ser que ela não tenha ficado esperando, mas a todos os dias ela pensou nessa pessoa.

Ela se submete a cada situação para passar o mínimo de tempo com ele. Aconchegar seu corpo em seus braços e ver o seu sorriso encantador. Aquele tipo de sorriso que mesmo depois da maior merda feita, conquista qualquer mulher - ou, ela, tão submissa a ele internamente. 


Ela se anula, anula suas vontades, anula sua personalidade e bem estar para favorecer a ele. Ela deixa que ele jogue seu charme para cima dela, mesmo depois de tê-la magoado. É um lance cheio de indas e vindas, ele sempre ia, até que ela resolveu ir, e mesmo assim, ela sentiu como se ele que a deixasse (de novo).

É muito bonito da parte dela persistir nesse amor que ela sente, embora pareça que ele não sinta nada além de paixão. Sinceramente, achei um pouco pedante da parte dela se deixar levar por todo esse caso romantizado. Até metade do livro a odiei por parecer tão frágil diante dele, e o odiei ainda mais por não tratá-la da forma que ele mereceria.


É quase um diário, com textos de como foi seu dia, como é sua torina, e ao longo do dia como ela pensou nele ao ver uma cena boba. É uma garota que gosta de dança e que a experiencia de uma forma única, a cada movimento seu, a cada visão pela janela, a cada observação de alguém na rua. Ela deixa-se levar pela sensação que os bailarinos a causam. 

O nome do livro faz referência a uma peça em alemão. O elefante na capa faz alusão a um filhote que se jogou de um trem ou ponto, não sei ao certo, pode ser invenção minha, ou imaginação da própria personagem.


Cravos é um livro poético, feito por uma mulher que é feita de poesia, que gosta de poesia. Ela se apega aos detalhes e descreve os movimentos do balé tão expressivamente que podemos nos sentir na platéia, ou, se nos permitirmos, na própria dança.

É um livro curto, fácil de ler, melhor que seja de uma vez para não se perder nos acontecimentos que se fazem presentes em apenas uma página, e muitas vezes várias páginas de apenas uma linha. Seu primeiro romance, que a princípio pareceu um livro de poesia e contos.

 

A partir do meio eu gostei mais, embora tenha ficado mais abstrato. Quase sentimos o que a personagem sente nos seus momentos de inspiração. Este é um livro que valha a pena ler, se você perdoar a personagem por sua insistência nesse amor. E você, o que achou? Leria este livro? Deixe um comentário! 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

3 Motivos para ler George, de Alex Gino

Título: George
Autor: Alex Gino
Tradução:
Páginas: 144
Editora: Galera Júnior
Ano: 2016

Seja quem você é. Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Mas ela sabe que não é um menino. Sabe que é menina. George acha que terá que guardar esse segredo para sempre: ser uma menina presa em um corpo de menino. Até que sua professora anuncia que a turma irá encenar “A teia de Charlotte”, e George quer muito ser Charlotte, a aranha e protagonista da peça. Mas a professora diz que ela nem pode tentar o papel porque... é um menino. Com a ajuda de Kelly, sua melhor amiga, George elabora um plano. E depois que executá-lo todos saberão que ela pode ser Charlotte — e entenderão quem ela é de verdade também.
George é um livro que está todo mundo lendo, mas, o que esse livro tem de tão especial? Que tal descobrir agora? Resolvi listar apenas 3 motivos para que você queira ler George, vamos lá!


George é uma garota!

George tem 10 anos, e nasceu biologicamente como um menino e as pessoas passaram a tratá-lo desta maneira. Mas mesmo quando era menor, George sentia-se uma garota. Ela gostaria de fazer coisas de garotas, colocar roupas de garotas e ser quem ela realmente é. Quando ela olha para seu corpo, sabe que tem algo errado, o que está no meio de suas pernas não a pertence. Embora seja uma criança, George tem pleno conhecimento que ela é uma garota, são pensamentos ingênuos, nada libidinoso ou sexual, e isso foi o que me conquistou neste livro. Ela guarda esse segredo por muito tempo, até sentir-se confortável para falar com alguém sobre. 



Kelly é uma super amiga

George tem uma melhor amiga, Kelly, que não sabe do seu segredo. Kelly apoia George no que ela precisar. Mesmo que George dissesse a Kelly que é uma garota, ela continuaria a gostar dela. Kelly está sempre lá para o que a amiga precisar, é a típica pessoa que você gostaria que estivesse ao seu lado. Quando George diz que quer fazer o papel de Charlotte na peça da escola, é Kelly que ajuda a bolar um plano para que a amiga consiga o papel.



George nos mostra como lutar

George quer fazer o papel de Charlotte na peça da escola, mas não pode fazer o teste pois é um menino. Mesmo com todos dizendo que os meninos só fariam o teste para um personagem masculino, George persevera e faz de tudo para fazer o teste. Com ele, aprendemos que devemos tentar ao máximo, mesmo que as chances sejam pequenas. 


George é um livro bem escrito. Conseguimos imaginar o que uma garota sente presa ao corpo de um menino. É preciso falar sobre crianças transgêneros, é preciso discutir esse tema.  A forma em que a transgeneridade é abordada aqui é muito ingênua, da forma que uma criança pensa, inocente, sem malícias. 


No início ficamos confusos com o tratamento que o narrador dá a George. Os pronomes estão no feminino, mas as pessoas tratam George como menino, afinal, não sabiam o que ela realmente sentia. Ao longo do livro vamos acostumando e acabamos por também tratar George no feminino, da maneira que ela gostaria que a tratássemos. 


E então, ficou com vontade de ler este livro? O que achou? Deixe seu comentário!

domingo, 9 de outubro de 2016

Dica de Leitura: Diário de Andrés Fava - Julio Cortázar

Título: Diário de Andrés Fava
Autor: Julio Cortázar
Tradução: Mario Pontes
Páginas: 128
Ano: 2016
Editora: Civilização Brasileira

O ponto de partida para o melhor Cortázar, com seus símbolos e enigmas Diário de Andrés Fava é composto de pequenas observações, anedotas, relatos brevíssimos, citações, diálogos, formando o que o próprio autor mais tarde chamaria de miscelânea como ele denominava livros como Histórias de cronópios e de famas, A volta ao dia em 80 mundos e Um tal Lucas. Foi escrito em Buenos Aires em 1950, concebido como parte do romance El examen, no qual o intelectual portenho Andrés Fava é personagem. Diário é, também, o ponto de partida para o melhor Cortázar, com seus símbolos e enigmas, os mesmos que fizeram do autor de O jogo da amarelinha um poeta em que a metáfora conviveu sempre com uma imaginação radical, imensa paixão literária e irreverente bom humor. Quem conhece a obra de Cortázar reconhecerá neste livro as questões que o atormentaram até a morte, os autores que o ajudaram a esclarecê-las e, sobretudo, seu estilo original e inconfundível, que salta do grave ao cômico, do anedótico ao reflexivo, com a desenvoltura de um improviso jazzístico, multiplicando surpresas que iluminam ao mesmo tempo a literatura e a vida.

Informações importantes: 

Julio Cortázar é um dos grandes autores latino-americanos, muito lido nas universidades e sempre com um público jovem interessado na sua obra. Inspirou vários filmes, entre eles, Blow-Up – Depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni, e Week End, de Jean-Luc Godard.

Diário de Andrés Fava foi escrito em Buenos Aires em 1950, como parte do romance El examen, no qual o intelectual portenho Andrés Fava é personagem. Faz pouquíssimas referencias aos incidentes e personagens do romance, porém é rico em elementos autobiográficos e em reflexões expressas com humor e melancolia, em torno de questões éticas, estéticas e literárias que preocupam Cortázar durante toda a vida. 

O diário foi excluído do corpo do romance, mas Cortázar o conservou cuidadosamente, como todos os textos que considerava "prontos" e dignos de serem publicados em algum momento. 


Por se tratar de um diário, há muitos devaneios e somos levados pela mente do eu-lírico. Entramos em mundo cheio de ideias que fluem a todo instante, diferentes imagens que se chocam e causam êxtase no leitor. 
Ainda sobre o suposto "sofrimento" do escritor: se de fato tens de sofrer, que não seja por causa do que escreves, mas como o fazes.
Há resenhas e críticas a livros que o narrador leu, filmes que viu. Há citações de escritores que Cortázar admira e de quem obteve influencia para seus escritos. Há muitas referencias a poemas e trechos de livros antigos, alguns dos quais nem foram publicados no Brasil.

Assim, não há outra saída a não ser elevar a linguagem até que alcance a autonomia total. Nos grandes poetas, as palavras não levam consigo o pensamento; são o pensamento. Que, claro, não é mais pensamento, e sim verbo.

Há períodos em que o leitor se perde em meio a dor e sofrimento do eu-lírico. Muitas passagens em que nos identificamos com a agonia e cólera do personagem. Somos bombardeados com frases vindas do âmago do autor, seus pensamentos mais profundos.
Num diário de vida, não se contam as mortes.

Entramos em um universo, que muitas vezes não somos capazes de identificar o que está acontecendo. Somos levados a ler até que algo faça sentido e retomemos o fio da meada. Para quem não leu o romance do qual este diário se originou, fica ainda mais difícil. E principalmente para quem não se foca nos detalhes, se perder é bem fácil.
Escrever o romance do nada. Em que tudo jogue de tal modo que o leitor possa perceber que o horrível tema da obra é não ter tema.
Esse é um livro curto, que vale a pena ser lido. Para se refletir sobre os temas nele abordados e para dar aquele leg no seu cérebro. E você, o que achou? Gostaria de ler esse livro? Deixe sua opinião nos comentários! 

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