quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Resenha: Marianas - A civilização dos sonhos - E. Chérri Filho


Título: Marianas, a civilização dos sonhos
Autor: E. Chérri Filho
Página: 192
Editora: Giostri
Ano: 2015


O extraordinário amor entre um homem e uma sereia nasce e enfrenta grandes dificuldades em meio à disputa de poder no fundo dos mares, numa civilização amiga cuja existência é negada ou escondida pelos livros de História. Jeremy e Licia operam um no outro grandes transformações de pensamentos e sentimentos, em razão do que vivem, inusitado, intenso e sincero. Embarque com eles nesta viagem da qual certamente você não voltará o mesmo.
De início, é um livro bem envolvente com um mistério que o leitor anseia desvendar. Os fatos vão se desenrolando de forma rápida e ficamos cada vez mais curiosos a cerca dos próximos passos dos personagens. Porém, próximo do quinto capítulo as coisas vão desandando. Os diálogos vão se tornando forçados e os acontecimentos premeditados. tudo se desenvolve rápido demais e o leitor se perde na história. 


Jeremy é um cientista que desde criança sonhou com a profundeza das águas do oceano. Ele acreditava que por lá existiriam seres místicos ainda não descobertos pela sua ciência. Após anos de estudo, conheceu Franchi, que lhe incentivou na empreitada de buscar tais seres. Com apoio dele, Jeremy parte para Marianas, onde com todo coração sentia estar a cidade dos sonhos.

Depois de meses de viagem para um local deserto no oceano, em um mergulho exploratório, o cientista está em profundidade muito alta e teme por sua vida devido a alta pressão. Quase desacordado, sente um doce toque em seus lábios. Extasiado, desmaia, e ao retornar a vida, vê-se preso em uma espécie de bolha de oxigênio junto de uma bela sereia.


É instantâneo o modo em que ambos se apaixonam ao se olhar. Desejam a companhia um do outro. A sereia Lícia salvou a vida de Jeremy, mas agora ele sabe o segredo de seu povo. Se o conselho deixá-lo voltar a terra, ele poderá contar ao mundo sua descoberta. Porém, seria uma atrocidade permitir que um humano vivesse entre os seres puro do mar. A humanidade quase aniquilou os Ariatas das profundezas, a raça humana jamais seria bem vinda naquela civilização.

Tomado de amor por Lícia, ele explica sua situação e sua dedicação a vida marinha. Comunica seu desejo de permanecer no fundo do mar com esses seres nunca antes vistos e prometer não fazer mal à uma espécie cuja líder dos Ariatas Azuis teria salvo sua vida.

Arrebatado, o conselho permite que o cientista permaneça entre eles, por ter se mostrado de bom coração e merecedor. Através de bolhas de oxigênio, ele poderia viver no fundo do mar, embora isso tivesse consequências. Assim como as sereias muito tempo longe da água, ficar longe de ferra firme poderia danificar o organismo humano.


Havia dois povos, os Ariatas Azuis (já mencionados) e os Ariatas Vermelhos, este, comandado por Zorguin, um sereia-macho egoísta que planeja comandar os sete mares, e para isso, passará por cima de qualquer espécie, até mesmo de seus conterrâneos Azuis. Ao descobrir que um humano habitava a civilização dos sonhos, engenhou um ataque à cidade e a destruiu completamente, quase exterminando os azuis.

Uma grande guerra fora traçada somente pelo ódio de Zorguin, os Azuis tinham coração puro e nunca foram treinados para a batalha, ficando a mercê dos Vermelhos. Em busca de poder, Zorguin em posse de um artefato que permite manipular a mente dos seres, dá vazão ao seu grande plano de conquistar as profundezas. E para isso, usaria de Lícia como isca. Apaixonado pela sereia, seria capaz de tudo para tê-la em seus braços.


O modo como Jeremy e Lícia se apaixonaram foi muito clichê, eles estavam juntos em tão pouco tempo e tinham a certeza de que queriam passar o resto da vida um com o outro, mesmo não sabendo nada um do outro além do nome. Os acontecimentos foram muito repentinos embora o leitor já soubesse onde tudo isso ia dar.

O livro tem uma trama interessante, mas o autor não soube escrevê-la. No início, tudo fluía bem, depois do quinto capítulo, a história foi virando uma espécie de filme da sessão da tarde. Os diálogos eram rasos e diretos demais. Não houve lembranças dos personagens enquanto se falavam. Parecia que os personagens eram obrigados a estarem ali, como se encenassem seus papéis.


A guerra foi iniciada por um motivo torpe e milhares de seres morreram por nada, e em nenhum momento os personagens pararam para refletir sobre isso. Zorguin massacrou milhares e os Ariatas Azuis ainda acreditavam na rendição dele. Era como se os Ariatas Azuis se sentissem culpados por Zorguin ter se tornado mal, sendo que era de sua própria índole. Várias foram as oportunidades que os Azuis tiveram de acabar a guerra matando o líder dos vermes Vermelhos, mas não o fizeram por se acharem puros demais. Enquanto isso, mães e filhotes eram degolados pela cavalaria incessante do cara egoísta que arranjou uma guerra por uma sereia que tinha nojo dele.


Não bastasse isso, as letras eram muito pequenas, encontrei vários erros ao longo do livro, o que impossibilitou a interpretação. Demorei cerca de um mês para concluir a leitura, eu estava praticamente me arrastando para terminar este livro. Outra coisa que me incomodou foi o fato do livro não ter marcação de páginas, que tipo de livro não tem páginas numeradas? Isso me fez ficar perdida e deixou a leitura ainda mais massante.

Apesar de possivelmente ter uma continuação, infelizmente eu não darei outra chance ao autor. Se você está procurando uma guerra inútil por trás de um romance clichê entre o desconhecido, esse é o livro. E ai, o que achou? Já leu esse livro? Se interessou? Deixe nos comentários. 

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9 comentários:

  1. Sinceramente fico pensando se li o mesmo livro. Realmente o início do romance é clichê, com um olhar só, mas mais adiante tudo se mostra, o motivo de tudo, lembra da garrafa? Já havia uma conexão, mesmo desconhecendo o autor dela. Não digo que o livro seja clichê de forma alguma, uma que o final foi completamente imprevisível. E ainda me pergunto se tudo não foi fantasia ou verdade, mas prezo por tudo ter sido verdade devido a repórter e o salvamento... para ver, ele me deixou pensando na história, fiquei bastante envolvida, e acredite, detesto romances, mas amo fantasia, e a fantasia nele foi bem criativa. O autor quis mostrar dois tipos de civilizações e ainda fez um paradoxo com os humanos e sua corrupção de alma, devido a busca sempre por mais, nunca satisfeitos. Então duas civilizações, uma pura (ariatas azuis) e outra corrompida (ariatas vermelhos) mais a frente ainda mostra como tudo ocorreu. Esse tipo de diálogo é direto, e o narrador é onisciente e onipresente, muitos talvez não gostem desse tipo de narrativa, mas ela existe.
    Não cheguei a conversar com o autor sobre isso ou sobre muito a respeito do livro, afinal quem me emprestou o livro foi uma amiga, mas acredita que pude entender até a não marcação das páginas? O desfecho do livro mostra como se tudo fosse uma fantasia da cabeça de Jeremy, um sonho, tudo fica em suspenso, menos a realidade da repórter que faz qualquer leitor ficar em dúvida do que ocorreu no livro, por isso a continuação. Sonhos não possuem tempo, por isso a não marcação de páginas. Um tanto filosófico, mas uma das coisas que gostei nesse livro foi a forma que o autor brinca com o clichê para confundir a cabeça do leitor, e também o uso da filosofia e mitologia para dar mais vida no que ele quis deixar como mensagem. Por isso penso que não lemos o mesmo livro.
    Uma pena não ter gostado, mas ao ler sua resenha fico perguntando se sonhei com o livro ou se você prestou atenção no que lia.

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  2. Oie como vai?
    parabéns pela sinceridade, hoje em dia é raro ver blogs que são sinceros em suas opiniões em relação a uma leitura.

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  3. Descobri sua resenha através do piti do autor que não gostou da crítica.
    Parabéns pela postura. Pelo que vc conta na resenha é uma história clichê, e se não gostou, tem mais que ser sincera.
    Depois esse tipo de autor vai no facebook reclamar que os blogs não apoiam e não divulgam Literatura nacional.
    Não,o que não apoiamos são ególatras, que por terem publicado um livrinho se acreditam o próprio Shakespeare, e não aceitam críticas, expondo quem não gosta c comentários preconceituosos.
    Ótima resenha de um péssimo livro, sem dúvida.

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  4. Oi Maria, tive oportunidade de ler o livro, e sim, achei que algumas coisas foram meio corridas. Sim, a paixão instantânea não foi algo de que eu tenha gostado muito e sim, todos temos nossas opiniões e as mesmas devem ser respeitadas. Porém, e acima de tudo, o respeito deve ser mantido. Que você não tenha gostado OK. Que você não vá ler outra obra dele, OK, é um direito seu, assim como é um dever respeitar o trabalho do autor. Reclamar da falta de numeração das páginas? Desde quando interfere na leitura? Eu já li uma infinidade de livros e pode ter certeza que nem olho para estes números, afinal eles não fazem parte do enredo, ou fazem?
    Dê sua opinião sincera sim, mas respeite o trabalho dos outros e não se apegue a picuinhas como numeração ou coisas do gênero, fica parecendo rixa não resolvida. Há várias formas de se falar, e o jeito que usamos as palavras faz toda a diferença. Dizer "que tipo de livro?", pegou mal. Você poderia ter apenas dito que não gostou ou que sintiu falta da numeração das páginas. Simples e sem menosprezo, e ainda assim passando a sua opinião.
    Bjs, Rose

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Sincera, porém ácida. Mas prefiro mil vezes isso do que a hipocrisia de tecer elogios quando não há mérito. Se o autor souber lidar com isso - e espero que saiba - poderá retirar desse episódio uma lição de grande importância para suas futuras criações literárias.

    W. Rodrigues

    http://oamoreoutrasmentiras.com.br/

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    1. ele não tá sabendo lidar. Tá o maior bafú no Facebook :v
      https://www.facebook.com/cherri.filho.1/posts/575292632630885?comment_id=575384185955063&notif_t=like

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  7. Moça, não te conhecia, mas já virei sua fã. Continue assim, sincera com seus leitores e acompanhadores do blog!

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