quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva Literária 2014 ☺



Olá galera, como vão? Este é o último dia de 2014, e como tal, vamos fazer uma retrospectiva literária. Foi a Angélica do blog Pensamento Tangencial que teve a iniciativa, é uma postagem coletiva, que envolve blogueiros e leitores a uma postagem anual. Vamos lá?

A aventura que me tirou o fôlego

Esse é o último livro da série Percy Jackson e os Olimpianos, escrito pelo escriba senior do Acampamento Meio-Sangue, Rick Riordan, por esse motivo, foi o mais emocionante. Durante a aventura, fica claro que Perseu vencerá o Titã Cronos, porém, vários dos campistas ficam feridos e correm o risco de morrer, o que nos deixa ainda mais apreensivos.

O terror que me deixou sem dormir

O livro que mudou a minha forma de ver o mundo

O livro que me fez chorar

O melhor livro que li em 2014

Esse livro é realmente incrível! Eu não conseguia dormir de tanta raiva que fiquei do Lee, aquele cara é um canalha. O Pacto, de Joe Hill mudou minha forma de ver a vida porque a história demonstra o que as pessoas podem esconder de você, e o que você fica sujeito a fazer quando descobre isso. As pessoas se mostram falsas sejam por algum interesse, ou apenas para proteger você. O livro me fez chorar porque conta uma verdadeira história de amor, que mesmo que tenha acabado, não chegou ao fim. E claro, depois de tudo isso, óbvio que seria o meu livro preferido de 2014.

O suspense mais eletrizante

Clarissa é uma verdadeira mentirosa. Em "A teia da Aranha" Agatha Christie nos envolve em um mistério muito enrolado. A autora auxiliada por Clarissa tece uma teia de aranha, que levará ao desenrolar da trama devido aos fatos apontados. 



O romance que me fez suspirar

O melhor livro nacional

Helena é sem duvida o melhor nacional que já li, seja em 2014, seja na minha vida. Machado nos envolve com uma personagem com grandes qualidades, mas também com vários defeitos, tornando a humana. O romance é de arrancar lágrimas, e seu final surpreendente.


A saga que me conquistou

A Saga Encantadas traz personagens já conhecidos, mas com histórias recontadas de um modo diferente pela Sarah Pinborough. 


O livro que me decepcionou

Comecei a ler este livro cheia de expectativas, o que foi muito ruim. Esperei uma história e me deparei com outra, e a que eu tinha pensado era muito melhor. Veneno é o primeiro livro da Saga Encantadas, porém, não foi de tudo uma leitura ruim, pude absorver muitos ensinamentos com ele, e repensar em quais seriam os vilões.


O livro que me surpreendeu

Em Poder, eu pensei tratar-se de uma história, mas percebi não ser nada do que eu estava pensando. A história mostrou-se ser melhor do que eu pudesse ter imaginado, e por isso, esse livro definitivamente me surpreendeu, e eu leria ele novamente se pudesse.


O thriller psicológico que me arrepiou: nenhum, que eu me lembre.


O livro mais criativo

O último livro que terminei

Posso dizer que esse livro é "Muuito Louco". Do início ao fim é uma aventura. Os acontecimentos mudam de acordo com o humor dos personagens, e isso é frequente, além do cenário de fantasias, assim como em "Coraline" também de Neil Gaiman. Agradeço a minha amiga Ohana por ter me proporcionado essa ótima leitura.


O melhor HQ: Eu não leio HQ.


O infanto-juvenil que se superou

No começo, a leitura estava um pouco maçante, com fatos rotineiros e que não eram surpresa alguma, mas já no meio do livro, enfim, aconteceram coisas e a ação começou. Harry Potter e a Câmara Secreta de J.K. Rolling se superou.

A capa mais bonita


Livro três da série Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan.


O livro que li em um dia

Por se tratar de um livro fino, eu pude lê-lo em apenas um dia.


O primeiro livro que li no ano

É um dos meus preferidos de Victor Hugo, ele me surpreendeu tanto na forma de escrita como no enredo da história. Eu finalmente soube porque ele é um dos clássicos da literatura mundial. Agradeço a Raphaela por ter me emprestado essa maravilha novinha! (E olha que ela nem tinha lido ♥)


O livro que abandonei

Oh pelos Deuses, esse livro é muito chato. A leitura se torna difícil de tantas palavras indígenas que contém, José de Alencar, na minha opinião foi muito infeliz ao colocar tantos dialetos diferentes nesse livro. A história de Iracema a índia dos lábios de mel é bonita, e de certa forma interessante, porém, dificilmente vou retomar esse livro novamente. 


O livro que li por indicação

Foi minha professora de redação que me indicou e emprestou esse livro. Nele, Mia Couto conta duas histórias que se intercalam. O modo de escrita é muito envolvente, além de ter muitas frases úteis ao dia-a-dia.

O(a) autor(a) revelação

Pedro Gabriel começou sorrateiramente publicando seus guardanapos e escritos na página do Facebook, mas transformou-se em livros pela editora Intrínseca esse ano. Namorei por muito tempo esse livro, e enfim, fui presenteada com ele por minha amiga, obrigada Rapha☺. Leia a Resenha aqui.
O casal perfeito: Anabeth Chase e Perseu JacksonO(a) personagem do ano: Foi Merrin do livro O Pacto, ela foi uma grande guerreira, e por mais que tenha feito escolhas a serem contestadas, foram feitas por amor verdadeiro.O clássico que me marcou: Foi O bom Crioulo de Adolfo Caminha, tive de lê-lo para uma prova do colégio, mas nunca vou me esquecer de tal história.


A frase que não saiu da minha cabeça

Amores sempre vêm e vão, mas nunca vêm em vão. (Eu me Chamo Antonio)


O livro que me fez rir

O livro que me fez refletir

Por mais que tenha sido uma leitura demorada, Elizabeth Gilbert me fez rir de alguns padrões de nossa sociedade machista, e tal livro me fez refletir sobre o que realmente importa quando queremos ser felizes.


O livro de fantasia que me encantou

O Livro de Marina Colasanti conta histórias de fadas de um jeito simples e encantador.Li em 2014 23 livros.Li em 2014 5223 páginas.Comprei em 2014 27 livros. Os quais li apenas um. Todos foram comprados na Black Friday e tenho eles como meta de leitura para 2015.A minha meta literária para 2015 é: Ler mais livros, principalmente aqueles que comprei. Em breve tem o post das metas para 2015, fique ligado.
Espero que tenham aproveitado as leituras. Quais as suas respostas? Deixe as nos comentários!


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Extensivão ENEM - Simbolismo






Simbolismo (1893 - 1902)



Teve início no Brasil em 1893 com a publicação de dois livros. "Missal", prosa poética, um texto corrido com muita metáfora que lembra a poesia; e "Broquéis", poesias, ambos do escritor Cruz e Souza. (Sim, é uma pessoa só).
É o oposto do Parnasianismo, só que há uma característica que os liga: ambos adoram a linguagem rebuscada. Também são frequentes características do Romantismo nesta estética. O simbolismo surgiu na França, fruto dos trabalhos de Sigmund Freud, que estudou o inconsciente e a captação do eu profundo. 


Charles Boudelaire escreveu a Teoria dos Correspondentes. A natureza está cheia de simbolismos, e este tem uma linguagem que sugere, não é direta e clara. A realidade é explicada pelos sentidos.
Explica que a natureza é símbolo, é metáfora de sentimentos humanos.


Mallarmé dizia que a linguagem não deveria explicar nada diretamente, e sim sugerir uma atmosfera ao leitor. A linguagem é ambígua, para dar dicas ao leitor, usavam palavras com letra inicial maiúscula dentro do texto. As letras maiúsculas indicavam a palavra chave, mesmo no meio do verso, as pistas ajudavam no entendimento. Eram literalmente, símbolos.

Paul Verlaine queria aproximar o máximo possível da poesia, a música. "Antes de qualquer coisa, a música". Na poesia simbolista, há musicalidade, conquistada por meio da aliteração (repetição de consoantes) e assonância (repetição de vogais), e também das rimas. Há ainda, presença de instrumentos musicais.


Trecho: Violões que Choram


Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.


Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.

Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas do sonho
Almas que se abismaram no mistério.

Sons perdidos, nostálgicos, secretos,
Finas, diluídas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar a flor de espumas.

Oh! languidez, languidez infinita,
Nebulosas de sons e de queixumes,
Vibrado coração de ânsia esquisita
E de gritos felinos de ciúmes!





A música seria uma forma de suprimir a dor, e a musica foi uma das formas que os simbolistas encontraram para tal. em "Violões que Choram" é possível notar que o poeta deu valor à forma do poema, perfeita. Conduz o leitor a outros elementos além dos violões, ligados ao som, e a dor. Ele compõe um universo de imagens poéticas em sequência, que parecem acompanhar o ritmo de violão que toca. Os sons dos violões sugerem tristeza, lamento, choro, associado a toda angústia do homem.


O objetivo dos simbolistas era atingir o íntimo, o lado espiritual, a alma do ser humano, ou seja, o lado transcendental, o metafísico (aquilo que ultrapassa os limites do mundo material). Não se preocupam com o mundo material, pois o corpo aprisiona a alma, que só se libertará com a morte, assim como os poetas românticos do Mal do Século.


Há a presença da religião e de objetos sacros, sagrados, como cálice, cruz, grinalda, véu etc. A morte, tristeza, angústia e solidão também aparecem e muitas vezes são temas dos poemas. "Viver é sofrer".
Não há crítica social, e a mulher é sublimada, comparada a uma santa.


A natureza é soturna, a escuridão está relacionada à vida, que é cruel. Aparecem palavras que remetem a noite, escuridão. Em contrapartida, usam muito da cor branca, para mostrar a pureza do espírito, nas poesias, alcançada com a morte.


Há o uso da sinestesia, figura de linguagem que designa a união de sentidos diferentes. Os poetas percebem o mundo pela intuição, pelos sentidos. As pessoas deveriam sentir a poesia, e não entendê-la. Os simbolistas queriam explicar o inexplicável. 


Cruz e Souza, fora apaixonado pela cor branca. Em seus poemas, foram contadas mais de 150 palavras que remetem à cor.
Alphonsus Guimarães tinha duas paixões: a virgem maria. E sua noiva, Constança, que morreu aos 18 anos.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Extensivão ENEM - Parnasianismo






Parnasianismo (1882 - 1902)



No Brasil, teve seu início em 1882, com a obra "Fanfarras", de Teófilo Dias.
A palavra parnasianismo, provém de Párnaso, lugar da Antiga Grécia habitado por deuses, onde os poetas buscavam inspiração. Os poetas parnasianos desejavam fazer um poema belo, perfeito, como uma joia. A forma do texto é valorizada e a linguagem elaborada.


"Invejo o ourives quando escrevo."

"Quero que a estrofe cristalina
Dobrada ao jeito
do ourives. sai da oficina
Sem um defeito"

Olavo Bilac.


Eram comparados com Ourives, aquele que faz jóias, por tamanha perfeição dos poemas.
O lema dos parnasianos é "Arte pela Arte", isso significa que essa poesia desempenham uma função utilitária, e sim estética, ou seja, a poesia parnasiana se preocupa em primeiro lugar com a beleza do texto com a escolha das palavras mais belas, mais raras, muitas vezes procuradas em enciclopédias. Preferem o uso de soneto, já que é um clássico, além de rimas perfeitas, ricas e preciosas.
Foram chamados de poetas em torre de marfim, pois a linguagem que usavam não era compreendida pelos reles mortais, e a realidade que declaravam não era a mesma do Brasil.


Os parnasianos retomam o conceito clássico de beleza, ou seja,  são influenciadas pelos clássicos da antiguidade, por isso, nos textos parnasianos há a presença de paganismo, da mitologia, , do antropocentrismo (valorização da vida material, mundana), uso de uma linguagem culta, elegante, mas sem enfeites, "elegante na simplicidade". Os poetas usavam da Impassibilidade Poética, em que os poetas não demonstravam paixões ou emoções, somente o uso da razão era ´permitido´.


Os parnasianos preferem a ordem direta (SUJEITO+VERBO+COMPLEMENTO) e as comparações, pois são mais claras do que as metáforas. A poesia parnasiana dá trabalho, não é fruto de inspiração, é um trabalho suado, intelectual, braçal, racional. A poesia parnasiana quer se aproximar o máximo possível das artes plásticas, para tanto, usam a descrição. O poeta trabalha, teima, lima, sofre e sua.



"Porque o escrever - tanta perícia
tanta requer
Que ofício tal ..nem há notícia
de outro qualquer"

Olavo Bilac.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Extensivão ENEM - Realismo/Naturalismo




Realismo/ Naturalismo (1881 - 1902)


Há uma diferença entre Realismo e Naturalismo. A segunda Escola Literária é uma extensão da primeira. Porém, na França, surgem com 11 anos de diferença, o Realismo surge com a publicação do livro 'Madame Bovary" de Gustave Flaubert. Alguns anos depois, surge o Naturalismo - continuidade do Realismo - com a publicação de "Thérèse Raquin" deo escritor Émile Zola.

O Realismo e Naturalismo chegam no Brasil em 1881, com a publicação de dois livros:

- "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis → Livro Realista.
- "O Mulato" de Aluísio de Azevedo → Livro Naturalista.

Os poetas buscavam se ater somente aos fatos, aquilo que realmente acontecia. Isso significa que não deve haver fantasia, sonho, imaginação na literatura. O escritor deve observar a realidade para mostra o que nela há de errado, ou seja, fazer crítica social, denunciar as mazelas da sociedade.

 "É preciso de manter no campo dos fatos, nada mais que dos fatos" Eça de Queirós. 

Não há mais espaço para a imaginação, pois no fim do século 19, surgiram muitas teorias científicas que abalaram as convicções românticas. Com a ciência explicando os fatos, o sentimentalismo, a idealização, a imaginação, a fantasia perderam espaço.

Importantes Teorias Científicas:
- Nasce o Positivismo, segundo Comte, é preciso Ordem para ter Progresso, lema da bandeira do Brasil.
-A Teoria Determinista de Hippolyte Tainé, tenta descobrir o que determina a conduta do indivíduo, e chega a seguinte conclusão:"O home é produto do meio, da raça e de seu momento histórico".

Características Gerais

Apresenta crítica social: à burguesia hipócrita. Crítica ao casamento, que na aparência era correto, moral, mas na realidade era uma mentira, com adultério. O casamento é uma instituição falida. A mulher trai, visto que no romantismo a mulher era submissa. Crítica ao homossexualismo, visto naquele época como doença biológica, um desvio de conduta que deveria ser curado. 
Há crítica ao jogo d interesses. 

Presença do Antropocentrismo, o homem é o centro do mundo. Racionalismo, apego ao mundo material e á razão. A linguagem é objetiva, sem muitas metáforas, direta. Há a descrição, caracterização dos personagens, lugares. Portanto, há uma lentidão narrativa devido ao excesso de adjetivos.

Romance Realista

O romance realista não se deixa influenciar pelas teorias científicas (determinismo etc). É um romance documental, apenas registra o que vê de errado (não escreve quando está correto, moral)
O personagem é bem construído, é como uma pessoa comum. Enquanto o ambiente é burgues e fino, a pessoas são mais cultas. Assim como a linguagem, culta, mais fina. Chamada de linguagem polida.
O escritor faz análise psicológica dos personagens, ele diz o que ela pensa, caracteriza o ser dela, sua índole, analisa o emocional e os sentimentos. é possível observar a presença do psicológico.

Autores e Obras:



Machado de Assis
"Dom Casmurro"
"Quincas Borba"
"O alienista"
"Missa do Galo"
"A cartomante"
"Memórias Póstumas de Brás Cubas"




Raul Pompéia
"O Ateneu"
"Crônica de Saudades"


Romance Naturalista

É influenciado pelas teorias científicas. É um romance de tese, argumenta a fim de provar que o meio, a raça, corrompe o homem. O ambiente é pobre, sujo, nojento e as pessoas são simples, não letradas, é o verdadeiro povo. De tal modo que a linguagem é chula, vulgar.
Não há análise psicológica, é analisado somente os fatos externos, com uma análise superficial. Aqui, observa-se a presença do fisiológico, biológico, carnal.


Autores e Obras:

Aluísio Azevedo

"O Cortiço"
"O Mulato"
"Casa de Pensão"

Outros:
Julio Ribeiro
"A Carne"

Adolfo Caminha
"O Bom Criolo"

Ingles de Souza
"O Misseionário"

Gostaram? Isso é o essencial para se fazer uma boa prova. Até amanhã!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Extensivão ENEM - Romantismo


Romantismo (1836 - 1881)

É uma Estética Literária, um movimento que surgiu no Brasil em 1836. Produziu-se poesias, romances, contos, teatros e algumas crônicas. Seu início foi marcado quando Gonçalves de Magalhães viajou para França e descobriu o movimento que já era praticado lá. Escreveu "Suspiros Poéticos e Saudade", seu primeiro romance, o qual introduziu a estética no Brasil.
Está diretamente ligado com os sentimentos, é a primeira escola literária da era nacional Brasileira. Quinhentismo, Barroco e Arcadismo estão no período colonial brasileiro. A revolução Francesa gerou a ascensão da burguesia, onde o lema era "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". E teve grande influência no romantismo, deixou o legado da liberdade do ser humano, do indivíduo, em que a Aristocracia perde seu espaço e é a Burguesia que assume o eixo. Enquanto aqueles liam obras enormes, estes se ocupavam do comércio, portanto tinham pouco estudo. Então, fora criado o Romance, livro com linguagem elaborada para que os burgueses pudessem entender. Os autores expõem suas críticas e visões de um modo que não havia ocorrido ainda na literatura brasileira.
A chegada da família real, em 1808, mudou o centro econômico, que sai de Minas Gerais e vai para Rio de Janeiro, na cidade Petrópolis, região serrana do rio.

O período quer mostrar a paixão, e o apego que temos pela terra, o Nacionalismo. Essa ideia é tão grande, que a partir do século 19, é criado o hino nacional brasileiro. O escritor abre o coração, fala de seus sentimentos. Usa de versos livres (de diferentes tamanhos) e de versos brancos (sem rima).
Há o Nacionalismo Ufanista, com a valorização do país. Foram cerca de 300 anos de prisão, e após o Brasil ser liberto, há o amor exagerado por sua pátria, eles só veem o lado bom do país.

O romantismo é dividido em três gerações, são elas: Nacionalista ou Indianista, Mal do Século ou Ultrarromantismo e o Condoreirismo.

Nacionalista ou Indianista

O século 19, era muito comum os filhos de fazendeiros irem estudar na Europa, e devido a isso, sentiam saudade das terras brasileiras, de tal forma expressa nos poemas. Tentaram criar uma identidade nacional, e também criar um herói, alguém que represente o povo e a nação brasileira. O índio e a natureza são temas principais. A religiosidade também aparece, a fim de entender o que acontece após a morte e o que ela significa.
O amor é impossível, não se concretiza, o poeta tem uma musa inspiradora, ele vive, respira e transpira por essa mulher, mas ele não a toca, ele não a tem.

Gonçalves Dias


Canção do Exílio.
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores.



Gonçalves estava estudando na Europa mas sentia falta do seu mundo, está exilado, longe de sua terra e então escreve esse poema. Tão importante, que tal trecho foi para no hino nacional brasileiro, o símbolo da nação. Mostra além da saudade que tem pela sua terra, como também a simbologia que se cria pelo povo.


Ainda Uma Vez Adeus
Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti! 


No poema, a mulher está sempre acima do homem. Porém, na vida real, a mulher dependia do marido, e se submetia a ele. A mulher é idealizada, branca, olhos claros, o homem reverencia a mulher amada. Com padrão de beleza europeu, a mulher é símbolo de amor, pureza, inocência, religião e moral. Afinal, os poetas deveriam dar o exemplo de mulher.


Mal do Século ou Ultrarromantismo

O verdadeiro mal do século era a tuberculose, grande parte dos escritores morreram jovens por conta da doença, naquela época, incurável. O mal do século era maior entre os poetas, os quais viviam depressivos, muitos estavam insatisfeitos com a vida e pensavam que a morte era a liberdade. Por esse motivo, fugiam para sua infância, passavam a madrugada bebendo ou em orgias.

Em seus poemas, reviviam momentos bons da vida e buscavam a morte, pois estavam influenciados pelos poetas ingleses, especialmente Lord Byron, que escrevia poesias melancólicas, sombrias. Por outro lado, viviam introspectivos e queriam fugir do local hostil que estavam. A vida era um sofrimento. Por isso buscavam fantasiar aquilo que não tinham, a mulher amada é um exemplo, esta é chamada Fuga da Realidade.

Álvares de Azevedo


É o mais importante poeta da Segunda Geração. Foi um dos grandes leitores de Lord Byron. Escrevia poesias com o tema de amor e morte, poemas repletos de sentimentalismo. Porém não ficou preso à isso, escreveu também poesias irônicas que remetem e antecipa de certa forma a poesia modernista. Tais poesias não se encaixam exatamente no romantismo.
É um poeta tímido, mas o mais macabro e sombrio. Morreu cedo como todos os outros romancistas.

É ela.
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
e o eco ao longe murmurou — é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura —
a minha lavadeira na janela.

Há a presença do verbo em primeira pessoa, o eu demonstra o individualismo e o egocentrismo. A imagem da mulher é romântica e idealizada, pura. No último trecho faz uma crítica ao romantismo, quebrando a imagem da mulher ao usar o termo lavadeira.

Poeta Moribundo.
Poetas! amanhã ao meu cadáver
Minha tripa cortai mais sonorosa!
Façam dela uma corda, e cantem nela
Os amores da vida esperançosa!


O poeta tem um visão pessimista do mundo, a morte é uma expressão de sofrimento ao mesmo tempo prazerosa. No restante do poema, afirma o inferno seria um lugar bom porque tem a presença de mulheres. Além das palavras 'feias'.


Casimiro de Abreu


O tema de suas poesias era o amor e o medo, falava da sua infância e da saudade da família, já que hoje vive em solidão e tristeza pela falta que a infância lhe faz, a linguagem torna-se infantil, meiga e carinhosa. 

Meus oito anos
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Em seus poemas, há presença de vocativos, interjeições, exclamações e reticencias, a exemplificar o sentimentalismo. A nostalgia, o saudosismo, da mãe, irmã e do lar, tornou-o o poeta da  'aurora da vida', do tempo perdido e das emoções da meninice.

Amor e medo
Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
- "Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"


[...]

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.


O poeta está triste e a natureza também está. É um amor romântico idealizado, que não deu certo porque ele não vai até a mulher por ser tímido demais.


Fagundes Varela


Conhecido como o poeta de transição da segunda para a terceira geração. Fala de escravos, e por ser amigo de Castro Alves, as más línguas dizem que ele copiou ideias do amigo.
Antecipou o tema da escravidão, muito trabalhado posteriormente por Castro Alves na terceira geração.
Sua poesia também é mascarada pela morte, em muitas delas, o poeta faz homenagem ao filho que morreu ainda bebê. 


Cântico do Calvário
Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. - Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.
Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, - a inspiração, - a pátria,
O porvir de teu pai! - Ah! no entanto,
Pomba, - varou-te a flecha do destino!
Astro, - engoliu-te o temporal do norte!
Teto - caíste! - Crença, já não vives!

Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,
Legado acerbo da ventura extinta,
Dúbios archotes que a tremer clareiam
A lousa fria de um sonhar que é morto!


Tal poema trata-se de uma elegia, poema fúnebre ou simplesmente melancólico. Além da beleza dramática das metáforas, que parecem antecipar a linguagem poética do Simbolismo, há a sinceridade do sofrimento paterno. Faz uso da hipérbole no trecho mar de angústias, a vida é cinzenta, triste, fria. A pomba predileta seria uma metáfora para seu filho. Nem mesmo no mal do século escapou-se o nacionalismo, em a pátria.

Junqueira Freire


Passou tempos de sua vida em um mosteiro, ao 18 anos tornou-se monge. Passou 4 anos da vida na igreja e ficou dividido entre a vida religiosa e espiritual. Morreu aos 23. Saiu do mosteiro decepcionado com a vida que teve e com o que viu.
Escreveu dois livros em um ano, foram inspirados em suas experiencias monacais. "Inspirações do Claustro" e "Contradições Poéticas"


Morte
Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o termo
De dous fantasmas que a exigência formam,
— Dessa alma vã e desse corpo enfermo.
Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o nada,
Tu és a ausência das moções da vida,
Do prazer que nos custa a dor passada
.

De um lado, o poeta afirma que seu lado religioso se deve ao ensinamento de sua mãe, ao passo que sua falta de fé se deve aos seus estudos filosóficos que matavam a sua crença, como bem mostra o prólogo de seu livro “Contradições poéticas”:

Este livro é a história de minha vida. Uma educação cristã, porém livre, que minha mãe soube dar-me (...) As minhas poesias ortodoxas, portanto, pertencem à minha mãe. São sua inspiração. (...) À proporção que estudava, ia-me tornando mais filosófico, isto é, mais vaidoso, mais ignorante, mais incrédulo. As minhas poesias filosóficas pertencem a esses acessos de loucura.”



Condoreirismo

Condor era um pássaro que habitava a Cordilheira dos Andes. Por voar alto, representa a liberdade, a essência das poesias desta geração.
O poeta mais importante é Castro Alves, chamado de "Poeta dos Escravo", pois cantou a liberdade dos negros escravos e de toda uma nação brasileira, do povo. Não se algemou à esse tema, suas poesias também falavam de amor e colocou a mulher negra como centro do poema, contrariando a visão daquela época. 
A descreveu como pura, desejada e mais tocável, a tirou do altar e a aproximou do sensual. A mulher, descrita nas duas primeiras gerações é intocada e inatingível. Já na terceira, Castro Alves descreve uma mulher mais próxima da realidade, de carne e osso.
Segundo ele, a liberdade é atingida através do conhecimento.

Castro Alves




Navio Negreiro
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...


Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!


E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...


Presa nos elos de uma só cadeia, 
A multidão faminta cambaleia, 
E chora e dança ali! 
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!


A paisagem, céus e mares fazem contraste ao negro. Sofrimento daqueles que derramam sangue ao luar. A linguagem dele é eloquente, pois usa muito vocativo e as palavras são bem elaboradas e inflamadas, marca de Castro Alves, diferente da linguagem da primeira geração.

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Espero que o post não tenha ficado muito longo, e pra não ficar muito cansativo, a análise da prosa romântica será em um outro post. Dúvidas, comentários ou sugestões serão sempre bem vindos! Abraços.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Extensivao ENEM - Arcadismo



Arcadismo ou Neoclassicismo (1768 - 1836)


O arcadismo se contrapôs a estética literária anterior, o Barroco, enquanto este era diretamente ligado à conflitos, aquele  buscou o equilíbrio. Ocorreu no século 18, com grande influência do iluminismo a explicação passa a ser com uso da razão e do pensamento. Iniciou em 1768 com a publicação do livro de poesias "Obras Poéticas", de Claudio Manuel da Costa. 
Claudio Manuel da Costa estudou Direito na Universidade de Coimbra em Portugal, e quando retornou ao Brasil, deparou-se com a degradação fruto da extração do ouro e a poluição nas águas do rio. Em seus poemas, denuncia este fato e deixa clara a diferença entre a natureza do Brasil e a de Portugal.

A palavra Neoclassicismo significa o retorno aos ideais clássicos da antiga Grécia. Tais valores clássicos consistia no Antropocentrismo, com a valorização da razão, do saber, do conhecimento e do mundo material. Tal ideal tinha Aristóteles como representante, que citou a 'mimeses', a representação da natureza, em que o homem deveria imitar a natureza, pois ela é perfeita e equilibrada. O Arcadismo retomou essas ideias.
Já a palavra Arcadismo provém da palavra arcádia, que se refere a uma província da Grécia Antiga, mais tarde descrita por vários poetas como um lugar cheio de simplicidade e paz, habitado por uma população de pastores que gozavam da comunhão com a natureza.

Jean Jacques Rousseau , filósofo do século 17, formulou a teoria do "Mito do Bom Selvagem", a qual dizia que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Portanto, entrar em contato com a natureza seria um modo de voltar às origens. Assim sendo, os poetas árcades - que na realidade eram ricos, advogados, donos de escravos ou sócios de minas de ouro, praticavam o "fingimento poético", no qual fingiam ser pastores e moradores do campo. Mostravam ter uma vida pobre, humilde, simples, em contato com a natureza. Tal poesia campestre que valoriza a vida no campo é chamada de 'poesia bucólica'.

Expressões Latinas muito usadas nos poemas:
"Fugere Urbem" → Simboliza o homem que foge da vida agitada na cidade em busca da calma e tranquilidade do campo.
"Locus Amoenus" → Lugar ameno ou tranquilo para onde os poetas fugiam.
"Aurea Mediocritas" → O meio termo é de ouro, o equilíbrio é importante, tanto na linguagem como na vida, nem tão rico, nem tão pobre.
"Inutilia Truncat" → Cortar o inútil, eliminar. Ou seja, os excessos e exageros, os enfeites da linguagem Barroca. Ser elegante na simplicidade. Preferem a comparação em vez da metáfora, preferem a ordem direito (SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO) em vez do hipérbato.

No Brasil, ocorria o Ciclo do Ouro em Minas Gerais, e com ele a Inconfidência Mineira em 1789, a qual teve a participação de vários poetas. Como Claudio Manuel da Costa, já citado, e Tomás Antonio Gonzaga. Os poetas do Arcadismo não fizeram crítica social, a não ser no poema "Carta Chilenas"

Poetas Épicos

Poesia épica é uma narrativa em versos. E teve dois representantes neste período, foram eles: Frei Santa Rita Durão e Basílio da Gama.

Caramuru - Frei Santa Rita Durão


Escrito em 1781, são dez contos, composto por cinco partes: preposição, invocação, dedicação, narração e epílogo, que relatam o descobrimento da Bahia. O protagonista é Diogo Álvares Correia. Há um naufrágio na primeira parte da história, que leva Diogo e mais sete amigos a serem salvos e ao mesmo tempo presos por índios. A intenção destes era alimentá-los para que pudessem ser servidos de comida para a tribo. Porém, a tribo foi atacada pela tribo adversária, o que culminou na fuga Diogo e seus amigos. Na fuga, Diogo entra em uma gruta onde encontra objetos dos naufrágio e a foto de uma bela índia, além de um índio escondido, chamado de Gupeva. Eles conversam e tornam-se amigos, saem para caçar, e o português dispara sua arma, e todos se curvam diante dele, julgando ser o deus do trovão. 

O então deus do trovão conhece a bela índia da foto, Paraguaçu, e se apaixonam. Jararaca é apaixonado pela índia, e ataca a tribo, Paraguaçu luta, mas quem a salva é Diogo. Chamado de Caramuru, o enviado de Tupã, Diogo faz com que os índios se submetam a ele. E ele vai embora para Europa com Paraguaçu, o casal é recebido na França, onde ela é batizada e ele descreve a fauna e flora brasileira.

Uruguai - Basílio da Gama

É composto de cinco cantos, sendo 1377 versos sem rimas. Escrito em 1769 a história conta a disputa entre índios e jesuítas. Passa-se no Rio Grande do Sul, representa o conglito entre o racional Europeu (representado pelo padre Jesuíta) e o primitivismo do índio.
Em uma aldeia catequizada pelo padre espanhol Balda, moravam Cocambo e sua mulher Lindóia. Enquanto esta representava beleza e delicadeza, aquele representava força e coragem. O padre foi desleal e corrupto, e engravidou uma índia, o filho fora chamado de Baldeta, mal visto por todos. 

O pai do garoto resolve casá-lo com a mulher de  Cocambo. O índio é mandado para missões impossíveis e sempre retorna vitorioso. Cocambo é capturado pelos portugueses liderado pelo General Gomes, e descobre em seu cativeiro que o verdadeiro vilão é o padre jesuíta. Os portugueses permitem sua volta para a aldeia para alertar os perigos dos jesuítas.
Ao vê-lo novamente, a aldeia se alegra. Percebendo as intenções do índio, o padre Balda envenena Cocambo, matando-o. Convencida de que o jesuíta havia assassinado seu marido, Lindóia  aceita casar-se com Baldeta. No dia do casamento, ela deixou-se picar por uma cobra, a fim de estinguir sua vida. A cena conhecida como a morte de Lindóia é a mais famosa do livro, e descreve uma típica cena do arcadismo: Bucólica e de morte sem dor.

Tomás Antonio Gonzaga

Além das cartas Chilenas, Tomás Antonio Gonzaga também escreveu "Marília de Dirceu".

Cartas Chilenas - Tomás Antonio Gonzaga

"Cartas Chilenas" foi escrito por Tomás Antonio Gonzaga, com o pseudônimo de Critilo, habitante de Santiago do Chile, que era na verdade Vila Rica. Escrevia a seu amigo Doroteu (também pseudônimo) residente em Madri, com o intuito de demonstrar o governo sujo do governador chileno Fanfarrão Minésio, um pseudônimo para Luis da Cunha Meneses, então governador de Vila Rica - MG.
Ao todo, foram 13 cartas que circularam pela cidade de Vila Rica, desmantelando os corruptos, com abusos de poder e erros administrativos. Escrita em versos decassílabos (10 sílabas poéticas), com linguagem satírica e agressiva. Por muito tempo fora discutida a autoria desta obra, e após vários estudos, descobriu-se tratar de Tomás Antonio Gonzaga. Ele teria se inspirado nas Cartas Persas de Barão de Montesquieu e no estilo satírico de Voltaire, com claras influências dos iluministas franceses. Fez da literatura uma maneira de combate.

Marília de Dirceu

A obra é dividida em três partes, e os versos tem tamanhos variados, são elas:
Na primeira, o poeta está livre, feliz, idealizando sua vida com a amada Marília, e sonha ter filhos com ela. Na Segunda, o poeta está preso, envelhecido e reclama a ausência de sua amada. Já a terceira é de autoria duvidosa, pois alguns críticos afirmam que o estilo observado nos poemas é muito diferente do usual. 
Embora seja um livro Árcade, há características românticas, portanto diz-se que há o pré-romantismo presente na obra. Pode-se observar a presença da emoção e do sentimento, contrárias ao racionalismo árcade. 

Dirceu é o centro do poema, e embora pareça dialogar com Marília, é sempre ele quem fala, portanto, um monólogo. Marília foi inspirada em Maria Doroteia Seixas, mulher por quem Antonio foi realmente apaixonado. A descrição da amada é vaga, ora tem cabelos louros, ora cabelos escuros, porém, é linda e idealizada, a mais bela de todas.
Presença do fingimento poético, nota-se a presença do termo "Aurea Mediocritas", em que o poeta diz não ser o vaqueiro rude queimado do sol, e sim o dono das terras (o pastor). Em determinado momento, o eu-lírico se esquece de que é pastor e confessa ser advogado. Além da expressão "Carpe Diem", muitas vezes o poeta convida Marília para aproveitar o momento presente.
Há machismo na obra: o filho do casal se pareceria com ele. Enquanto ele trabalha, a Amada recita poesias.
Além dessas características, há o refrão "Graças Marília Bela/ graças à minha estrela."


Espero que tenham entendido, dúvidas e sugestões, deixe um comentário. Um abraço.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Extensivão ENEM - Barroco



Barroco (1601 - 1768)


Há duas correntes que se contrastam nesse período, o Teocentrismo, e o Antropocentrismo. Na primeira, fruto da mentalidade da Idade Média, tem Deus no centro do universo, Ele, e somente Ele era a explicação para todas as coisas. Já a segunda, elege o homem no centro do mundo, com a valorização do corpo e do mundo material, nas artes com o Renascentismo, e muitas coisas passam a ser explicadas pela ciência.

Nesse contexto, aparece o homem Barroco, indeciso, em conflito entre tais ideias. Enquanto Lutero colaborava valorizando o ser humano, a Igreja através da contrarreforma pregava um Deus cruel, vingativo e que castigava aqueles que pecavam. O homem barroco se perguntava se abria mão dos prazeres carnais e ganharia um lugar no céu, ou se aproveitasse os prazeres materiais e iria para o inferno.O Barroco, portanto, é fruto da contrarreforma. A crise existência do homem é representado nas poesias com a presença de frases interrogativas e antíteses (palavras contrárias).

O Barroco surgiu no Brasil, na Bahia, com a publicação do livro 'Prosopopeia' de Bento Teixeira., A palavra Barroco significa Pérola Irregular, e é a estética do contraste.
linguagem é rebuscada e enfeitada em todas as artes. Na pintura, há o jogo do claro e do escuro, luz e sombra. Na escultura tem o olhar dramático e as dobras nas roupas. Na arquitetura há linhas curvas e muitos detalhes. Já na literatura, há o exagero das figuras de linguagens, como o Hipérbato (inversão sintática → Sujeito + Verbo + Complemento) paradoxos, gradação, hipérbole e metáforas. Preferência pelo soneto, com dois quartetos e dois tercetos.

A grande temática do Barroco é a efemeridade da vida, a passagem a transitoriedade de tudo. Com o uso da frase latina “Carpe Diem”, aproveite o hoje, viva o momento presente. Tal expressão é pagã, entretanto, o homem barroco queria aproveitar a vida, mas queria ir para o céu.
Há ainda, dois principais escritores que se contrastam entre si. São eles: Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira.

Padre Antônio Vieira



Foi considerado por Fernando Pessoa o Imperador da Língua Portuguesa. Nasceu em Lisboa e veio para o Brasil aos 6 anos, e sentia-se tão brasileiro quanto português. Fazia parte da Missão Jesuítica, e era um padre a frente de seu tempo, pois tinha pena dos fracos e oprimidos e defendia escravos e índios, e foi perseguido pela própria Igreja.
Escreveu apenas cartas e sermões (utilizados para educar o interlocutor). Utilizou do Conceptismo,também chamado de Quevedismo. O qual consiste em um estilo de escrita que tem objetivo de convencer o ouvinte, através de raciocínio lógico inteligente e jogo de idéias. Tal estilo preocupa-se com a clareza da linguagem. Criticou o Cultismo, estilo contrário ao Conceptismo.

Gregório de Matos



Nasceu na Bahia e passou grande parte da sua vida lá. Sofreu represarias das autoridades portuguesas por conta de poesias satíricas, que atacavam o governo, os padres, os moralistas ou quem quer que fosse até mesmo Deus. Recebeu o apelido de ‘Boca do Inferno’, pois não media palavras para criticar, usando de alfinetadas, de modo de rebaixar ou humilhar.

Que falta nessa cidade? ............Verdade
Que mais por sua desonra..........Honra
Falta mais que se lhe ponha.......Vergonha

Neste trecho do poema ‘Epílogo’, critica a cidade da Bahia, tão amada por ele, transformada em uma Bahia vendida, com prostituição, praticamente um comércio, critica até mesmo a cidade dos seus sonhos. 

Escreveu cinco tipos de poemas:
  • Poema religioso (pecado x perdão): aproveitava dos prazeres carnais durante a noite, mas na manhã seguinte, arrependia-se, sentia-se culpado, portanto pedia perdão a Deus. Ligado a passagens e fugiras bíblicas. "Porque quanto mais tenho delinquido/vos tenho a perdoar mais empenhado" - Quanto mais eu peco, mais tu me perdoas.
  • Poema Amoroso ou Lírico: fala sobre amor e mulher, ligada ao enaltecimento. "Anjo no nome, Angélica na cara/Isso é ser flor, e Anjo juntamente/Ser Angélica flor, e Anjo florente/Em quem, senão em vós se uniformara?"
  • Poema Filosófico: passagem da vida e existência humana.
  • Poema Satírico: faz crítica de modo irreverente, tirando sarro. "De dois ff se compõe/ esta cidade a meu ver:/ um furtar, outro foder". Mostra dois problemas que estão inseridos na cidade, prostituição/libertinagem, furto/ladroagem 
  • E por fim, Poema Obsceno ou Erótico.


Usou o cultismo, estilo de escrita que valoriza a linguagem elaborada, culta, bela, com muitas figuras de linguagem. Também chamada de Gongorismo, já que o escritor espanhol Gôngora usou deste estilo, trabalha com o jogo de palavras e trocadilhos (jogo verbal).




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Extensivão ENEM - Quinhentismo.

Hey galera, como estão? Peço que me perdoem pelo sumiço; mas a minha vida anda uma confusão só. E pra me redimir dos dias fora, preparei uma série de post pra vocês, aguardem!

O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é daqui duas semanas, e como este é um blog literário, nada mais oportuno do que fazer uma revisão das Escolas Literárias Brasileiras. Uni o útil ao agradável: o dever de estudar, e o prazer de escrever pro blog. Não sou especialista no assunto, mas tentarei passar os meus conhecimentos o melhor possível. Não reparem os erros de português, afinal, sou boa em Literatura e não gramática, infelizmente. Tenho aqui a contribuição indireta de minha professora Fátima, e agradeço a ela por toda a sabedoria adquirida dela.
Serão vários posts a respeito do assunto, com as principais características e autores, além de resenhas e análises de livros referentes aos movimentos. Vamos começar.

Também chamadas de Estética Literária, Período Literário e Movimento Literário, são períodos históricos demarcados por datas, em que vários autores escreveram poesias, narrativas e até mesmo teatros e que apresentam algumas semelhanças por pertencerem à mesma época, são elas:

1500 - 1601 → Quinhentismo
1601 - 1768 → Barroco ou Seiscentismo
1768 - 1836 → Arcadismo ou Neoclassicismo
1836 - 1881 → Romantismo
1881 - 1902 → Realismo/Naturalismo
1882 - 1902 → Parnasianismo
1893 - 1902 → Simbolismo
1902 - 1922 → Pré Modernismo
1922 - 1960 → Modernismo
1960 - Até os dias atuais → Pós Modernismo
(Clique no nome da Estética Literária para ver a postagem)


Quinhentismo (1500 - 1601)
Devido a chegada dos Portugueses por conta do descobrimento do Brasil, houve um choque cultural muito grande entre índios e europeus. Há a chegada de padres jesuítas, os quais faziam parte da companhia de Jesus e estavam a serviço da Contrarreforma, proposta pela Igreja Católica. A contrarreforma foi uma resposta da Igreja para a Reforma Protestante de Martin Lutero, este, pregava mais liberdade religiosa. Há então, a Literatura de Informação e a Literatura de Catequese.

A Literatura de Informação consistia nos escritos pelos cronistas viajantes europeus que vieram para o Brasil. Seu objetivo era descrever as terras conquistadas pelo povo português, nas Grandes Navegações. São textos, relatos e cartas, chamados hoje de crônicas. Pero Vaz de Caminha foi o maior cronista desta época, autor da "Carta de Caminha".
A carta descreve as terras, a fauna, flora, e seus habitantes. Caminha fica deslumbrado com as belezas do Brasil, cita que as 'vergonhas' dos índios andam descobertas, com tamanha ingenuidade e inocência. Por mais que diga-se que não sabiam da existência do novo mundo, é possível notar na carta indícios de que desviaram do caminho das índias propositalmente. Conta ao Rei de Portugal que não encontraram ouro, mas que vê um grande potencial de exploração nessas terras, e nessa gente. Acredita que o maior investimento seja 'salvar essa gente', isto é, ensinar a religião católica.
Outros Cronistas Viajantes: Pero Magalhães Gândaro, Jean de Lery, Hans Staden, Gabriel Soares, Fernão Cardim.


Trechos da Carta:
Andam nus, sem cobertura alguma. Nem se preocupam em cobrir ou deixar de cobrir suas vergonhas mais do se que preocupariam em mostrar o rosto. E a esse respeito são bastante inocentes.   Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, eles se tornaria, logo cristãos, visto que não aparentam ter nem conhecer crença alguma. Portanto, se os degredados que vão ficar aqui aprenderem bem a sua fala e só entenderem, não duvido que eles, de acordo com a santa intenção de Vossa Alteza, se tornem cristãos e passem a crer na nossa santa fé. Isso há de agradar a Nosso Senhor, porque certamente essa gente é boa e de bela simplicidade. E poderá ser facilmente impressa neles qualquer marca que lhes quiserem dar, já que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens. E creio que não foi sem razão o fato de Ele nos ter trazido até aqui.

Na Literatura de Formação ou de Catequese  os escritores eram os padres jesuítas, que desejavam converter os índios ao catolicismo a fim de angariar mais fiéis. Era uma literatura de caráter medieval, já que na Idade Média, havia a aplicação do Teocentrismo, Deus era a explicação única para tudo. Padre Anchieta fora o mais importante da missão, ensinava os índios por meio da poesia melódica, com versos curtos de cinco ou sete sílabas (redondilha menor e redondilha maior, respectivamente), a qual ajudava os índios a memorizarem mais fácil as ideias cristãs. Sua poesia era maniqueísta, o bem versos o mal. Chegou a escrever um dicionário do tupi-guarani para o português, mas foi barrado por Portugal, que julgava errado aprender a língua dos nativos ao invés de fazê-los aprender a língua daqueles que o dominam. 

Espero que tenham entendido, dúvidas ou sugestões, deixe um comentário. Fique atento aos próximos posts! Até.


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