quarta-feira, 6 de maio de 2015

Resenha: Uma Praça em Antuérpia - Luize Valente

Olá galerinha, como estão? Hoje eu trago a resenha de um livro simplesmente incrível. Eu o recebi de cortesia da Record, e agradeço muito pelo mimo. Este livro me despertou algumas tristezas, mas também me trouxe muitas alegrias. Será difícil resumir esse livro em poucas palavras, tendo tanta coisa que eu gostaria de falar.


Uma Praça em Antuérpia
Autora: Luize Valente
ISBN: 978-85-01-10317-8
Páginas: 364
Editora: Record
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Após sua estreia literária com O segredo do oratório, sucesso de público e crítica, Luize Valente volta a mergulhar, de maneira ainda mais surpreendente, na história de uma família de migrantes em Uma praça em Antuérpia.Com domínio da narrativa, que vai e volta do ano-novo de 2000 em Copacabana para os anos da eclosão da Segunda Guerra na Europa, Luize reconstitui a desgraça imposta pelo nazismo aos judeus, razão pela qual muitos deles viriam fazer a vida no Brasil.
Reunindo sensibilidade pelo drama humano e extensa pesquisa histórica, Luize retrata a chaga do nazismo na miudeza do cotidiano, na intimidade das famílias alemães e europeias, com bárbaros desdobramentos em Portugal, no lar de Clarice e Olivia, de onde a narrativa parte para ganhar o mundo e o Brasil. Acompanhamos a fuga de Clarice e seu marido, o pianista judeu Theodor, por grande parte da Europa, sempre um passo à frente da perseguição nazista, fuga que leva parte da família a cruzar o oceano. Como se não bastasse essa narrativa de tirar o fôlego, Luize presenteia o leitor com um final emocionante e totalmente inesperado.

Na primeira página do livro, o leitor se depara com Olívia, na virada do ano dois mil. Com um aperto no peito, ela conta sua história a Tita, sua neta. A narrativa se inicia com a história de duas irmãs inseparáveis, Clarice e Olivia, criadas pela avó. Porém, quando adultas, tiveram de seguir por caminhos diferentes e acabaram se separando, mas sempre mantendo contato.

Após a morte da avó, Olivia casou-se e a irmã seguiu com ela para Lisboa. Fascinada pela música, Clarice saiu a procura de uma boa melodia. Fora essa melodia que a arrastou para um café em um beco escuro. Sentou-se em uma mesa e ouviu o pianista tocar com tanto esplendor, que fechou os olhos. Ao reabrir, Theodor estava em sua frente, aquele era o início do amor entre os dois.
Estudava as partituras, nota a nota, acariciava as teclas, virava uma extensão do piano. Produzia sons que pareciam nascer do ar. Fascinava qualquer um que o ouvisse tocar. 
Os dois se apaixonaram no momento em que se viram. Passaram a se encontrar e passear de mãos dadas. Eis que alguns problemas começam a surgir, Theodor desapareceu por um tempo, e quando voltou debaixo de uma tempestade, teve de dizer adeus para Clarice. A situação os pegou de surpresa, e aquela seria a primeira noite de muitas.



O pianista, perseguido, teve de fugir. Deixou-a em prantos, e sem saber, grávida. Aquele amor tão puro deixou um fruto, Bernardo viria a nascer saudável, para que ela sempre tivesse Theodor por perto. Ainda grávida, resolveu  mudar-se de cidade até o bebê nascer, não sabia se ele voltaria, tudo indicava que não.

O comunista voltou a procura de sua amada e não a encontrou em casa. Avisado da notícia, correu a encontrar a mãe de seu filho. Os dois então casam-se e passam a viver uma linda história de amor. Ainda fugindo daqueles que o perseguia, a família mudou-se para Bélgica, ao lado da Alemanha. Em uma praça de Antuérpia, a família viveu momentos que Clarice jamais tiraria da memória. Uma ultima lembrança daqueles que se amavam tanto.

A essa altura o marido de Olivia parte para o Brasil, e deixa a mulher em Portugal. A Guerra eclode. Além dos bombardeios, da perda de seus pertences, as pessoas perderam também sua dignidade. Muitas delas tinham uma família a quem se agarrar, era o caso de Clarice. Theodor tentou proteger ao máximo sua família, juntos, eles viriam a viver uma série de acontecimentos. 


Mesmo diante de toda destruição e incerteza, eles tinham pequenos momentos de alegria juntos. Cada lembrança, cada toque e gesto, fazia com que eles se aproximassem mais um do outro. A família pretendia partir para o Brasil. Durante sua jornada, encontraram várias pessoas que os ajudaram, e ajudaram também várias pessoas. Um pequeno gesto diante da guerra era suficiente. Porém, tão perto do destino, algo vem a mudar a vida de toda uma família.
Aquela pergunta que Clarice tantas vezes se fizera nas últimas seis décadas, vinha carregada do pesar por uma perda adormecida em algum canto escuro do cérebro, como um lampião velho e enferrujado. Ao receber um pouco de querosene, esse canto é iluminado por um clarão de consciência, mas logo se esvai. O lampião é que permanece ali, até receber mais combustível, acender, e novamente apagar. 
Nunca havia lido nada parecido, este foi um dos primeiros romances históricos que li. A autora fez uma narrativa com flash-backs, a história vai e volta, dando mais credibilidade. A linguagem é simples, e flui muito bem. Porém, não é um livro que deva ser lido em apenas um dia. Uma Praça em Antuérpia deve ser degustado, não com vagareza, mas na medida certa. Há muitas informações e isso requer um tempo para absorver toda a história.

Este livro conta com detalhes a vida dos refugiados durante a Guerra. E apesar de conter muitas informações verdadeiras acerca dos combates, não fica difícil de entender. É válido mesmo para quem não sabe muito de história.


Eu gostei muito da narrativa de Luize. Ela sabe como cativar um leitor. O livro é dividido em capítulos curtos, e ao final de cada capítulo, a última frase faz com que fiquemos curiosos acerca do próximo. O jogo de palavras criado e a facilidade com que as palavras se completam é encantador.

Embora o Führer estivesse perseguindo os judeus, Clarice ao juntar-se a Theodor, também passou a ser judia. O pianista não era adepto da religião, já ela participava das celebrações da comunidade, e prestigiava o Shabat. Além disso, o cerco se fechava, e mesmo assim Theodor resolveu ir para Bélgica com a família, ao lado da Alemanha! Essas foram duas coisas muito pertinentes neste livro, mesmo sabendo que poderiam ser mortos, eles insistiram em ficar tão perto e selar seu destino.

Ao final do livro, sempre fica a aquele gostinho de quero mais. Como leitora chata que sou, eu senti falta de um relato de como foi o reencontro de dois personagens. Porém, se isso acontecesse tiraria todo o encanto que Luize guardou para a última página. Cabe ao leitor imaginar a tão esperada cena. Amei ler esse livro, e você, o que achou? Leria? Deixe sua resposta nos comentários!

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28 comentários:

  1. Gostei muito da resenha, fiquei animada para ler, está na lista para comprar e ler em 2015!
    Amei o seu blog é muito lindo!
    Beijos,Flor!

    http://booksmagiclove.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada Ana, fico feliz por isso! :D

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  2. Adorei a resenha, este livro parece um daqueles que emocionam e deixa o leitor atonico ao mesmo tempo, além de ensinar um pouco de história. Esse romance em plena guerra, deve ter sido difícil de se escrito, mas deve ser maravilhoso ler estes relatos. Adorei a sua resenha, soube muito bem o que colocar e me deixou muito curioso sobre a leitura do livro, espero por lê-lo algum dia...

    Abraços e até!

    lendoferozmente.blogspot.com.br

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    1. Muito obrigada Luan! É exatamente assim, espero que você se surpreenda tanto quanto eu. Quem sabe esse dia não seja logo? haha

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  3. Oii,
    Adorei sua resenha!
    Estou morando na Holanda e Antuérpia é bem perto daqui, o que me deu ainda mais vontade de ler esse livro!!
    Bjos,
    Helena

    http://doslivrosumpouco.wordpress.com

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    1. Olá Helena, ler esse livro morando tão perto de onde aconteceu a parte crucial para esta história deve ser muito bom!

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  4. Que legal esse livro se passar em um lugar tão distante. Bom Maria eu tenho um blog e respondi uma tag que pedia para eu marcar mais 11 blogs, espero que voce responda também! bjss
    http://apenasmais1livro.blogspot.com.br/2015/05/tag-liebster-award.html

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  5. Olá; também li esse livro e concordo com absolutamente tudo o que você disse. É um livro forte, mas a escrita da autora é fácil e fluida de se ler, né?! Gostei muito da sua resenha.


    Resenha premiada "Pra sempre sua", participe: petalasdeliberdade.blogspot.com.

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    1. Obrigada Mari, é realmente um livro lindo de se ler!

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  6. Olha eu não conhecia esse livro e lendo sua resenha percebi que me parece ser bastante interessante, mas é um livro que eu não pegaria para ler, porque não faz muito meu gênero entende? Mas eu acho legal conhecer novas obras. Eu anotei a dica, porque sei quem vai gostar. Mas meso assim parabéns pela sua escrita, porque tá muito boa e deu para entender muito bem seu ponto de vista =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/05/resenha-o-penhasco.html

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    1. Olá Silvana, fico feliz que tenha gostado da resenha!
      Ah, uma pena, mas que bom que pôde conhecer um pouquinho mais dessa história haha

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  7. Olá, flor!
    Adorei conhecer esse livro por meio de uma opinião tão bem elaborada… Eu gosto de romances históricos no período da guerra. Sempre me emociono e me sinto ultrajada pelo modo como um ser humano pode causar o sofrimento de outros. Achei interessante que a história seja um flashback não apenas de uma vida, mas de duas irmãs. Anotei a dica!

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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    1. Que bom Francine, fico feliz que tenha se interesse. Espero que goste do livro <3

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  8. Oi flor, namorei bastante esse livro na News da Record que eu recebi também, mas acabou que optei por uma outra trilogia "histórica". Eu me apaixonei ainda mais pela história lendo a sua resenha, ou melhor, devorando-a. Me senti dentro de uma história bem parecida, o filme e livro da Olga, onde a guerra de Hitler contra o povo é contada e Olga, seu marido e sua filha sofrem muito com tudo isso.

    Já quero para ontem esse livro e será minha próxima solicitação.

    bjs

    www.adorkable.com.br

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    1. Olá Simeia, infelizmente só pude assistir ao filme e concordo que seja semelhante. Fico feliz por ter devorado-a, desejo que você faça o mesmo com o livro, não irá se arrepender!

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  9. Eu me apaixonei pelos livros de ficção histórica quando li Fuja, Coelhinho, Fuja. Até então, eu não gostava muito do estilo por achar o enredo um pouco pesado demais. Li algumas resenhas desse livro na ultima semana e achei a história muito interessante. Assim que eu puder, vou tentar dar uma chance a leitura.

    http://laoliphant.com.br/

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    1. Tente sim Débora, é um livro fascinante, cheio de acontecimentos e com muita coisa a nos mostrar, espero que goste!

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  10. Oi Lygia, tudo bem?
    Não tenho interesse em ler o livro pois não curto muito essa questão da guerra.
    Fico feliz em não ter passado na seleção de parceria. Existem blogueiros asim como você que aproveitam mais esse tipo de leitura.
    Bjs

    A. Libri

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    1. Olá Angélica, sério? Por que não?
      Não pensa em dar nem uma chance? haha

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  11. Adorei sua resenha do livro, tinha visto nos lançamentos, mas não tinha dado nada por ele. Agora fiquei muito interessada em conhecer a trama, ainda mais por ser histórico. <3
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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    1. Eu também não pensei que esse livro fosse me agarrar desta forma haha

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  12. Quando olhei a capa deste livro eu sabia que ele ia me interessar. Só não tinha noção de que quando lesse a resenha ia ficar louca para lê-lo. Que história!!! A sua é a primeira resenha que leio da obra estou muito curiosa.

    Logo, logo, lerei também!
    Beijinhos!

    Vanessa Vieira
    Pensamentos Valem Ouro

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    1. Comigo foi diferente, a capa não me atraiu tanto, fiquei boquiaberta depois de ler este livro! Espero que você goste também!!

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  13. Oi,
    Logo que vi o livro algo me chamou atenção não sem nem dizer o que exatamente, gosto de livros nesse estilo, com música envolvida também, ainda se passado em tal momento histórico entendi porque ele me ganhou, gosto de livros que traz informações dessa época, pelo que vi é uma narrativa boa também.
    Parabéns pela resenha dica anotada.
    Beijos



    Mari - Stories And Advice

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    1. Olá Mari, fico feliz que tenha apreciado a resenha!
      É um livro digno de ser lido, espero que goste!

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  14. Oi Maria,
    Quando vi esse livro fique meio desempolgado com a capa, mas nossa, depois dessa resenha me despertou muita curiosidade, o romance parece ser algo bem interessante e anda fútil e o pano de fundo da guerra é algo que da mais brilho ao livro, é uma história muita bela pelo que observei e com certeza algo que eu leria!!

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    1. Eu também não me encorajei com a capa, mas depois de ler o livro achei ela fantástica. Espero que goste do livro também!

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